Marrony e Dylan foram abordados por torcedores de uma organizada em meio a uma festa com aglomeração em uma boate na Grande BH

(Reprodução/Instagram Galoucura)

Fabio Chiorino e Rodrigo Borges 
01/12/2020
07:00
São Paulo (SP)

A cena é tão assustadora quanto patética. Integrantes de uma torcida organizada invadiram uma boate para confrontar dois jogadores do Atlético-MG que desrespeitavam o isolamento social para aproveitar o momento de folga.

O vídeo é o melhor retrato do absurdo do futebol brasileiro na pandemia: Marrony, um dos alvos, se defende dizendo que já foi infectado uma vez, enquanto tenta pegar de volta o copo de cerveja. E o torcedor arranca a máscara do atacante e grita na sua cara.

Há erros de todos os lados, e a truculência de torcedores sempre é o fundo do poço neste tipo de discussão. Entretanto, é assustador o número de jogadores que ignoram os riscos, as possibilidades de contágio e negligenciam a doença mesmo com vários surtos entre os clubes da Série A.

A dupla do Galo é só mais um exemplo desta situação grotesca. No Fortaleza, Yuri César e David também foram flagrados em situação similar, assim como o volante Ramires, que rescindiu seu contrato com o Palmeiras diante de um clima insustentável. A falta de bom senso dos atletas só motiva ainda mais o comportamento irascível de torcedores, que não podem usar as arquibancadas para os protestos.

Em meio a um Campeonato Brasileiro que normalizou os casos de coronavírus, vários jogadores não aceitam mudar hábitos em prol de um bem maior. No fim das contas, o normal voltou ao futebol brasileiro. E isso está longe de ser uma boa notícia.

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