Vasco x Vila Nova (Foto:Paulo Sergio/Lancepress!)

Douglas já fez um gol no profissional do Vasco (Foto:Paulo Sergio/Lancepress!)

David Nascimento
06/09/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Douglas Luiz Soares de Paulo, de 18 anos, é morador da comunidade da Nova Holanda, local com tiroteios frequentes e tráfico de drogas no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. A região conta com uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), mas não pacificadora o bastante para acabar com o perigo. Apesar dos problemas fora de campo, ele hoje é titular do Vasco. Sem medo de assumir responsabilidades que surgem.

Com a subida para o profissional, a primeira providência de Douglas será dar melhores condições para a família. Está procurando uma residência em Bonsucesso ou na Ilha do Governador, próximos a São Januário. Isso só possível por causa do futebol. Apesar do Vasco não vencer há seis jogos – um pela Copa do Brasil e cinco na Série B –, o volante é o mais elogiado desde que estreou há três partidas pela equipe.

– Futebol é conjunto, todos têm que marcar. Estamos trabalhando bem forte para que os erros não aconteçam mais. Temos esse risco de perder a liderança, mas o grupo está unido, isso que importa. Temos que reverter essa história. O Vasco é um time grande e vive de vitórias. Se perdemos, vamos ser cobrados – afirmou Douglas durante a sua primeira entrevista coletiva, segunda-feira pela manhã, após o treino em São Januário.

A juventude que tem, somada à experiência do restante do elenco (o time titular do Vasco tem média de idade superior a 30 anos), faz de Douglas um nome a ser lembrado pela torcida no futuro. A qualidade de suas finalizações nas partidas que disputou – contra Tupi, Vila Nova e Bahia – chamaram a atenção da mesma forma que acontecia nas categorias de base. Ele assume a responsabilidade pela fase do time, mesmo não sendo cobrado dessa forma pelos torcedores.

Pelo que vem apresentando, Douglas tem condições de seguir sem medo para conseguir ajudar a melhorar a vida da família e do Vasco em campo. Com o potencial que tem, o volante pode desenvolver a sua tática e técnica e dar ao time o que vem faltando desde o primeiro semestre: o fator surpresa. Este cenário indo para frente fará com que o Vasco retome o gás e sele o retorno à elite.