Mateus Pet em ação durante treino (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Mateus Pet em ação durante treino (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Matheus Babo
31/01/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

O ano era 1998 e o Vasco vivia grande fase. Era o atual campeão brasileiro e conquistaria o Carioca e a Libertadores. Em fevereiro daquele ano, a principal aposta do clube para a temporada 2016 nascia. Mateus Pet, meia habilidoso e que chegou ao clube aos oito anos de idade para jogar futsal, será titular da equipe que entrará em campo às 17h deste domingo, diante do Madureira, em São Januário, com transmissão em tempo real pelo site do LANCE!. Jorge Assumpção, pai do ainda garoto, falou um pouco sobre a caminhada do jogador até essa estreia como profissional em São Januário.

– É uma coisa maravilhosa. Estrear no time de coração é tudo que sonhamos. Se ele for abençoado com um golzinho, vai ser melhor ainda. A expectativa é grande, mas ele mesmo vem passando muita tranquilidade. Está feliz, tranquilo, mais leve. Acho que é só esperar a bola rolar e torcer para ele fazer a torcida do Vasco um pouco mais feliz – diz o pai.

Mas chegar até aqui não foi fácil para o jogador. Com apenas oito anos, Mateus viveu cenas de terror que não saem da sua cabeça. Do banco de trás do carro, viu uma tentativa de assalto na Pavuna virar tiroteio com a chegada de policiais. Um tiroteio foi iniciado e uma das balas acertou Viviane e tirou a vida da mãe do garoto, que usou o futebol para superar o drama.

– O futebol serviu para ele desviar um pouco da tristeza. O Mateus, desde pequeno, foi um garoto de fé. Ele tem muita personalidade, com sete, oito anos ele me disse "pai, eu não quero perder o senhor porque eu tenho certeza que nós vamos chegar lá" e isso me marcou muito – revela o pai do garoto.

E Mateus chegou. De família vascaína e cria de São Januário, o garoto inicia sua carreira em um momento difícil do Vasco. Acostumado a viver dificuldades, a promessa vai tirar essa de letra.

ORIGEM DO APELIDO

Pet já virou quase um sobrenome de Mateus. O garoto recebeu este apelido de um diretor do clube, quando ainda era do futsal vascaíno. Na época, o sérvio Petkovic era o destaque time profissional e a semelhança no estilo de jogo fez com que o apelido pegasse.

O pai do jogador explica que tentou emplacar Vital, sobrenome da mãe, e o clube até tenta chamá-lo assim nas redes sociais, mas a verdade é que todo o elenco vascaíno o chama mesmo de Pet:

– O sobrenome da mãe dele era Vital. Na época o apelido o Pet jogava no Vasco e todo mundo chamava ele assim. Pegou.

BATE-BOLA
Jorge Assumpção, pai de Mateus Pet

1. Foi uma surpresa ver o Mateus treinando entre os titulares?
Foi porque ele vinha de uma contusão. Tinha ficado fora do Mundial Sub-17 pela Seleção. Foi uma coisa que desanimou muito. O Mateus sempre teve uma meta de chegar ao profissional do Vasco. As pessoas me perguntam se ele mudou. Mas não, ele agora está até mais tranquilo do que quando estava no júnior. O Jorginho, o Zinho, a comissão está passando muita tranquilidade e acho que ele está mais leve, mais feliz.

2. Como é o Mateus em casa?
O Mateus é um garoto que nunca me deu trabalho. Eu praticamente cuidei dele sozinho. Eu e Deus. Desde os 8 anos de idade. Nós somos evangélicos, acho que isso ajudou muito. O máximo que ele vai é para o shopping ou festa em casa de amigo.

3. Ele está bem mais forte. Como foi esse trabalho de fortalecimento muscular?
Ele teve o problema na clavícula e o Vasco começou neste período a fazer um trabalho de fortalecimento. Esse trabalho foi excepcional nessa transição e ajudou bastante.