icons.title signature.placeholder Pedro Barboza
14/11/2013
06:07

A ação impetrada pelo Procon-RJ contra o Flamengo, na tarde de quarta-feira, pela alta dos ingressos da final da Copa do Brasil, criou um clima de revolta dentro da Gávea. Contudo, de certa forma, já era esperada pela diretoria. Para o vice de finanças do Rubro-Negro, Rodrigo Tostes, o clube resolveu correr o risco de sofrer represálias, pois para ele há algo mais por trás da movimentação do órgão de defesa do consumidor.

- Estamos mexendo com o interesse de muita gente, mas resolvemos correr esse risco com essa ação, que é totalmente desproporcional. Tem alguma coisa por trás disso. Todos têm dúvida pra onde vão os ingressos vendidos na bilheteria e quem fica com o dinheiro. O estádio está lotado e só aparecem 50 mil no telão. Com sócio-torcedor, não terá mais ingresso na bilheteria - disse Tostes.

Para Tostes, a diretoria tem agido com responsabilidade desde o início da gestão, além de estar tentando consertar erros deixados no passado. Além disso, o diretor comentou que a resposta da torcida comprova que o trabalho está sendo bem feito.

- Assumimos o clube com uma dívida de 750 milhões, e conseguimos reduzi-la muito. Isso aqui tem que gerar receita. As administrações passadas nunca fizeram contas. Mas a resposta da torcida está sendo dada pelas pessoas, que compraram mais de dez mil ingressos em cerca de 20 minutos. Temos que arcar com as despesas e pagar as CNDs, mas sem a ajuda de ninguém - disse.

O vice-presidente não quis entrar no mérito se os ingressos estão caros, mas deixou claro que a política de meia-entrada e a lei de gratuidade são amplamente responsáveis por esse panorama e quem age corretamente não pode arcar com isso.

- A solução é fazer as vendas antecipadas pela internet. Quando tiver a necessidade de comprovar alguma coisa, construiremos um sistema para comprovar isso. Hoje em dia, vendemos meia-entrada, mas não conseguimos comprovar. Ninguém se coloca contra isso. O que não é justo é a pessoa que age corretamente pagar por isso. Por causa da lei da meia-entrada, de dez ingressos, oito são de meia e um é gratuidade. Não posso construir um time forte para Libertadores com meia-entrada e gratuidade. É hipocrisia também dizer que o preço real é R$ 250, já que o sócio-torcedor paga R$ 75. Meu papel é zelar pelas contas do clube - lembrou Tostes, alegando que não se pode combater algo que não é regulamentado:

- Não se pode querer combater alguma coisa sem regulamentação. Um evento esportivo se cobra quanto quer. O Procon não foi ao Rock in Rio para falar dos preços. É um absurdo o que estão fazendo com o Flamengo. A conta de luz tem aumento de acordo com os cálculos da agência reguladora, os ônibus são fiscalizados pela Assembleia, e outras coisas mais.

Presidente do Flamengo explica altos valores dos ingressos