icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci e Russel Dias
30/03/2014
07:04

A cada novo Menino da Vila que desponta, a comparação com outros jovens craques do Santos é inevitável. Com Gabriel, de 17 anos, não é diferente. Acostumado a ser questionado sobre Neymar, ele já tem uma resposta padrão:

– Ele é meu ídolo, mas não posso imitá-lo, tenho o meu jeito de ser.

Mesmo assim, a nova joia da Vila Belmiro vai trilhando caminho semelhante ao do atacante do Barcelona. Além da precocidade na carreira e do talento com a bola nos pés, Gabigol tem “substituído” Neymar também fora dos campos: tem se tornado o queridinho da torcida, assumiu o posto de “DJ” do vestiário alvinegro, é o coreógrafo das comemorações de gols e, assim como o ex-camisa 11 do Peixe, é vaidoso e costuma ousar no penteado.

Agora, falta “copiar” Neymar no que os torcedores santistas mais querem: títulos! Assim como o antecessor, Gabriel espera ser decisivo na hora H e conduzir o time a mais uma final de Paulistão.

O camisa 7 promete chamar a responsabilidade na semifinal contra o Penapolense, neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro, mas lembra que o ponto forte do Santos de Oswaldo de Oliveira está no espírito coletivo.

– Vou me comportar como um jogador de grupo e tentar ajudar a equipe de alguma forma. Nosso time é muito rígido, não tem um jogador que decide, tem um elenco. Se Deus quiser, espero fazer gol e poder ajudar, mas o importante é ganhar – disse o garoto, ao L!.

E, embora rejeite as comparações, Gabriel pode superar Neymar logo em seu Paulistão de estreia como titular. Aos 17 anos, assim como o ex-santista, ele pode levantar sua primeira taça como profissional. Em 2009, Neymar foi derrotado na final pelo Corinthians e teve de esperar um ano a mais pelo título. Nem assim o mais novo astro do Peixe abandona o discurso humilde e a idolatria pelo astro do Barça.

– O Neymar é único, é diferenciado, gênio! Eu não estou nem perto dele ainda – comenta o jovem.

Porém, o que talvez nem Gabriel saiba é que ele já passou Neymar em, pelo menos, um quesito: gols. No Paulistão-2009, a Joia balançou a rede apenas três vezes. Já o novo xodó do Peixe, em 15 jogos neste ano, marcou sete vezes e está na briga pela artilharia. Como pede a torcida santista, pra cima deles!

Sem revanche e com Peixe se impondo

Dois fatores serão diferentes e talvez até decisivos à favor do Santos na partida de hoje. O primeiro deles é a Vila Belmiro, já que o jogo em que o Penapolense bateu o Peixe por 4 a 1, foi no interior. O segundo pode ser Gabriel como titular.

No duelo do primeiro turno, única derrota do Peixe no Paulista, o atual camisa 7 era reserva, e entrou apenas no segundo tempo.
Sobre uma possível revanche, o jovem nega o clima de vingança.

– Não tem isso, não. O Penapolense é um time muito bom, que chegou aqui por merecimento. Tem que ter o pé no chão e tentar colocar o nosso jogo – afirmou.

Gabriel diz que a situação dos dois times agora é bem diferente da vivida no embate da primeira fase do Estadual, e evita comparações.

– Eles foram bem, aproveitaram as chances e a gente não conseguiu marcar. O pensamento foi o mesmo de sempre, mas não deu certo. Agora é outro jogo. Vamos tentar impor nosso jogo dentro de casa, e isso é um fator importante - disse, esperançoso pela vitória.

Bate-Bola com Gabriel, atacante do Santos, em entrevista ao LANCE!Net no CT Rei Pelé

Aos 17 anos, você já é titular do Santos. O que mudou desde que subiu ao time profissional?
Aconteceu o que eu sempre sonhei, que era fazer gols e defender o time que amo. Estou convivendo com os jogadores mais experientes e evoluindo cada vez mais.

Evoluiu em quê?
Sempre aprendo. Convivi bastante com o Edu Dracena, que é um cara experiente, e estou aprendendo bastante com o Oswaldo em relação a esquema, sobre o time, taticamente e fora de campo também.

Você tem ocupado um espaço que era o do Neymar, animando o vestiário, inventando comemorações...
Tento sempre agitar o pessoal e fico feliz que os jogadores gostem de mim, me dá alegria para jogar. Sou assim, não sei se parece com ele.

Quais são as músicas que você escolhe para tocar antes dos jogos?
Gosto muito de rap, cantores como Emicida, Rashid. Mas, se colocar isso no vestiário, o pessoal não gosta. Então eu escuto pagode, arrocha, funk, rock, tudo! Tento colocar vários tipos de música porque tem gente que é calma, outros, agitados...

Acha que, aos 17 anos, teria tantas oportunidades em outro time?
Acho difícil. Já fui para as seleções de base e sei que tem craques em outros clubes que não têm tanta chance.Graças a Deus estou no Santos, meu time de coração onde eu sempre sonhei jogar.

Qual a orientação do Oswaldo para os jogadores mais jovens?
Ele fala para se divertir, sempre incentiva, não só ele como os mais experientes ajudam, é importante.