icons.title signature.placeholder Bruno Andrade
26/02/2015
08:20

Filho de Tite, técnico é (será, na verdade). Aos 26 anos, Matheus Rizzi Bachi começa a trilhar os passos do pai. Formado nos Estados Unidos em Ciência do Exercício, o filho do vitorioso treinador do Corinthians está trabalhando desde janeiro como auxiliar técnico do ex-zagueiro Paulo Turra no Caxias-RS, que disputa a primeira divisão do Gauchão, a Copa do Brasil e a Série C do Brasileirão em 2015.

A ligação de Matheus com futebol vai além dos ensinamentos do pai. Zagueiro adepto do futebol bonito até o ano passado, ele jogou nas divisões de base do Cruzeiro e também na equipe profissional do Três Passos, ambos times pequenos do Rio Grande do Sul. Mas foi fora do país que o filho de Tite resolveu aprofundar os conhecimentos na área de preparação física e se organizar para trabalhar à beira do gramado.

– Fui para os Estados Unidos em 2010, com 21 anos, para jogar bola e estudar inglês. A ideia inicial era ficar seis meses fora, mas gostei da estrutura e comecei a estudar Ciência do Exercício, que é um curso voltado ao esporte, na Carson Newman University, em Jefferson City, e também entrei no time de futebol da faculdade – explicou.

Formado, Matheus voltou para o Brasil em meados de 2014 e aproveitou o “ano sabático” de Tite, que havia deixado o Timão no fim de 2013, para ser moldado pelo "melhor professor". Eles viajaram pela Europa, assistiram grandes jogos e analisaram times e jogadores. Juntos, se apaixonaram pelo sistema tático 4-1-4-1 do Real Madrid (ESP). Uma rotina que acompanha a família há anos.

– O pai sempre me desafiou. Mesmo eu morando fora do país, ele vivia me pedindo para fazer resumos de jogos e análises de atletas. Sou apaixonado por tática, amo futebol. Volta e meia, eu e o pai falamos sobre o Manchester City (ING). A gente gosta da forma como o City joga, os jogadores são ousados, ficando tabelando dentro da área – analisou.


Matheus Bachi começou a trabalhar no Caxias-RS em janeiro (Foto: Geremias Orlandi/Divulgação)

– Ele (Tite) se preparou muito em 2014. O pai é muito inquieto, sempre vai atrás de novidades. Ele se apaixonou pelo 4-1-4-1 do Real Madrid (ESP). Ele voltou para o Corinthians e conseguiu montar um time bem ofensivo, com bastante infiltração – completou.

Entre os “desafios” feitos por Tite, Matheus Bachi lembra com carinho a “descoberta“ de Guerrero. De férias, ele foi assistir in loco a Copa América de 2011, na Argentina. Lá, viu de perto o atual camisa 9 do Corinthians brilhar com a camisa da seleção do Peru – ele foi o artilheiro do torneio, com cinco gols.

– Eu falei para o pai do Guerrero. Assisti três jogos dele na Copa América. Contra o Uruguai, por exemplo, o Guerrero paleteou (anulou) o Lugano com facilidade. Ele é um centroavante f..., joga muito bem fora da área. Depois, fiz pesquisas e avisei o pai. O Fábio (Carille, auxiliar técnico do Corinthians) também viu esses jogos na Argentina e indicou a contratação dele em 2012 – lembrou.

BATE-BOLA - MATHEUS BACHI

Você era bom zagueiro?
Olha, dava para ter ido mais longe. Eu não era ruim, não. Eu era um zagueiro técnico e gostava de orientar bastante os companheiros. Eu até poderia ter tentado algo maior nos Estados Unidos, mas resolvi voltar.

O que você aprendeu no futebol dos Estados Unidos?
O meu treinador era escocês e o auxiliar técnico era francês. Além disso, nosso time tinha muitos jogadores da Europa. O pessoal nos Estados Unidos dá bastante ênfase à academia, deixar o jogador mais forte. Lá, os caras são fortes e rápidos, o que é um dilema aqui no Brasil.

Qual a grande característica do Tite que você procura copiar?
Uma coisa que sempre me chamou a atenção foi a concentração dele. Ele sempre se isola um pouco antes de jogos e treinos, usa isso para se concentrar nas ideias para passar o que quer e o que gosta para os atletas. Tento fazer isso também.


 Tite e Matheus costumam se falar todas as semanas (Foto: Arquivo pessoal)

Ser filho do Tite ajuda ou atrapalha no sonho de ser treinador?
Tem ônus e bônus. Vou ser sempre comparado a ele, mas eu não trocaria isso por nada no mundo. Eu tenho o melhor professor em casa, pô. Ele me ensinou muito, tem muito conhecimento. Sei que vão acontecer críticas e comparações, mas estou preparado.

Sonha em trabalhar com ele no Corinthians?
A gente conversa bastante sobre trabalhar juntos. Eu preciso de experiência antes de ir trabalhar com ele (no Corinthians), estudar mais... Quero ter uma boa bagagem quando for trabalhar com o pai. Tudo isso para não correr o risco de eu chegar e ouvir que sou apenas o filho do Tite.

Seu pai é o melhor treinador do Brasil?
É. Hoje ele é. Aliás, faz um tempo já...

Pretende ser melhor do que ele?
Sim, eu quero ser melhor do que ele. Mas primeiro quero chegar perto do que ele é. Se eu ganhar metade do que ele ganhou, já serei um profissional realizado. Como costuma dizer o Cristiano Ronaldo: eu trabalho para ser o melhor.

Seu pai, sempre que ganha um jogo, brinca e avisa que vai tomar uma caipirinha para comemorar. Você também faz isso?
Não faço muito (risos). Mas dias atrás fui com a minha noiva comemorar uma vitória e resolvi tomar uma caipirinha. O Paulo Turra (técnico do Caxias) me viu e brincou: "Já está igual ao velho".