icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena
19/02/2015
08:43

Vitor Hugo tem só 23 anos, mas já viveu o suficiente para superar em poucos dias a falha que causou a derrota do Palmeiras para o Corinthians, no dia 8. E ele contou ao LANCE!Net que essa experiência não vem só do futebol.

- Já fiz tudo que você imagina, só não fui garoto de programa. Graças a Deus! (risos) - brinca o zagueiro, que começou no Santo André, aos 16 anos, e ainda passou por Ceará, Sport, Ituano e América-MG.

- Eu já fui repositor de mercado, já fui funileiro, fui para a roça colher algodão, café, feijão... Já trabalhei de garçom em um pesqueiro. Nossa, que raiva dava quando o pessoal chamava no assobio. Eu falava: "Ô, não sou cachorro, não, véio!" (risos). Trabalhei de servente de pedreiro com meu pai, e esse foi um dos motivos para eu ter mais vontade de ser profissional. Ele falou para mim: "Ou você vira jogador ou vai bater massa comigo". Imagine que trevo? - lembra Vitor, natural da pequena Guaraci, no Paraná, onde também foi sorveteiro.


- Eu vendia sorvete. E vendia bem demais, rapaz. Teve um domingão que vendeu o carrinho todo. Ganhei mais de 50 reais naquele dia. Pense! Era 2007, eu tinha uns 16 anos... Naquela época 50 reais era dinheiro, rapaz.

Fascinado por vestir uma camisa tão pesada, ele nem pensa em deixar a chance passar e voltar a clubes menores (está emprestado pela Tombense-MG ao Alviverde até 31 de dezembro). Por isso, mostrou que aprendeu a lição já no jogo seguinte, contra o Rio Claro.

- Dei um chutão e a torcida comemorou que nem gol (risos). Não vai acontecer de novo. Agora tenho olho até na nuca - garantiu.

Vitor foi titular e destaque em todos os jogos do ano - excluindo o Dérbi, claro - e diz que vai continuar "passando por cima" dos atacantes que cruzarem seu caminho.

- Ah... Tem que passar, né, cara? Na minha posição não pode dar mole - disse ele, que não dá brechanem para Luan de Sousa, assessor de imprensa do clube, zagueiro nas horas vagas e elogiado por Oswaldo nas peladas da comissão técnica.

- Vamos rolar uma bola aqui que eu quebro ele (risos) - brincou.

Festa verde no casamento

Vitor Hugo ficou sabendo que jogaria no Palmeiras no dia 12 de dezembro, minutos depois de dizer "sim" e se casar.

- Pense num menino que ficou doido. Meu empresário deixou para contar a notícia no dia do meu casamento, imagine a festa que foi. Meu pai me pegou na "cacunda", levou lá na frente do palco, pegou o microfone do cantor... Ainda bem que já tinha falado o "sim". Senão, teria travado. O padre ia falar: “Você aceita?”. E eu: “Palmeiras” - contou.

Confira um bate-bola exclusivo com Vitor Hugo:

LANCE!Net: Já está adaptado ao clube e à cidade?
Vitor Hugo: Ao clube eu estou, os caras ajudam demais a gente. À cidade ainda não, São Paulo é complicado demais... Mas estou me adaptando, eu e minha esposa já arrumamos escola para o nosso filho, o Pietro, que tem um ano e meio de pura safadeza.

Por que você acha complicado?
É muito grande, cara. Dá medo de sair, tal, porque a gente vê coisas na TV que não são muito bacanas. Fora o trânsito também, que é horrível. Credo!

A torcida gritou seu nome depois do erro contra o Corinthians. Isso te deixou surpreso?
Muito! Um ou outro falou um monte nas redes sociais, porque eles ficaram putos, nervosos. Mas acontece... Fiquei muito feliz com o tanto de torcedor que me elogiou, me deu força, falou que eu estava jogando muito e que é para continuar assim que vou fazer muito sucesso no nosso Verdão.

O bico para a lateral contra o Rio Claro foi um sinal de que o erro serviu para aprender? Você até sorriu...
Você viu, rapaz? (risos) Ali eu sabia que o adversário estava vindo atrás e não ia dar aquele mole de novo, não. Mas no jogo do Corinthians foi muito rápido, a torcida estava gritando muito alto. O Amaral fala que avisou, mas eu não ouvi ele chamar, eu pensei que estava sozinho. Ainda rolei devagarzinho porque era na perna esquerda do Prass, para ele soltar o pé lá na frente. Eu não sabia que o Petros estava vindo, mas aí ele veio e aconteceu, mas não vai acontecer de novo, não. Agora estou ligado, agora tenho olho até na nuca.