icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro
03/12/2013
19:45

Divulgada no final da manhã desta terça-feira, a posição oficial da Fifa de que a abertura da Copa do Mundo de 2014 será na Arena Corinthians já começa a preocupar o Sintracon, Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo. Segundo Antonio de Sousa Ramalho, presidente da entidade, a tendência é que aumentem os turnos de trabalho dos operários envolvidos na obra.

- Eu vejo com muita preocupação esse anúncio, porque ele significa mais pressão da Fifa. Eu não tenho dúvidas de que é muito preocupante, o pessoal vai trabalhar mais do que antes. Precisa o Ministério do Trabalho e todos nós ficarmos atentos. A recomendação é para os trabalhadores, que observem se os trabalhos estão levando à fadiga, ao cansaço, para levar às autoridades - afirmou Ramalho, que além de presidente do Sintracon é deputado estadual em São Paulo.

A preocupação do parlamentar não ficará restrita ao sindicato. Em entrevista ao LANCE!Net logo após o anúncio da Fifa, Ramalho afirmou que pedirá, na Assembleia Legislativa, a abertura de uma investigação a respeito das obras na Arena Corinthians à Comissão de Trabalho Escravo da casa. Nos próximos dias, o deputado Carlos Bezerra Jr, que preside a Comissão, deve receber o pedido de Antonio Ramalho.

- Vou pedir aqui na Alesp para convocar a Odebrecht (construtora responsável pela obra) e a Fifa, para responsabilizá-los a fazer a obra com segurança. Que contrate mais gente, monte três ou quatro turnos, mas que não haja ninguém trabalhando 14 horas por dia. Todo mundo quer a abertura no estádio do Corinthians, precisamos ganhar o jogo, mas sem matar mais trabalhadores. O prazo já estava aos 45 do segundo tempo, deram mais dois minutinhos de prorrogação e agora o jogador tem que se matar para concluir a obra. Não é assim - afirmou Ramalho.

Odebrecht e Corinthians ainda não se manifestaram sobre o novo prazo de conclusão da Arena, que estava previsto para dezembro. Atualmente, 30% da obra está interditada por conta do acidente da última quarta-feira. A construtora aguarda a liberação do parecer da Polícia Científica para retirar os escombros do guindaste desmoronado. Já a Polícia Civil, em inquérito instaurado no 65º Distrito Policial, de Artur Alvin, aguarda mais provas e depoimentos para dar sequência à investigação.

A reportagem tentou contato com o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada, Infraestrutura e Afins do Estado de São Paulo), que representa os operários segundo a Odebrecht, mas os representantes não retornaram as ligações.