icons.title signature.placeholder Igor Siqueira
16/06/2014
06:46

O currículo é invejável. O bom humor e a simplicidade também. Aos 69 anos, o técnico sérvio Bora Milutinovic, que dirigiu seleções por cinco Mundiais seguidos entre 1986 e 2002, não perdeu a chance de assistir in loco à Copa do Mundo no Brasil.E em um Centro de Imprensa quase vazio que ele atendeu a alguns veículos brasileiros, inclusive o LANCE!Net, e abordou diversos assuntos, como a Seleção Brasileira e Neymar. Mas também passou pela Copa-2022 no Qatar, da qual participa como membro do Comitê Organizador, e pelo futebol brasileiro, elogiando um compatriota que brilhou muito tempo em terras brasileiras: Petkovic.

O que faltou para você vir a esta Copa?

Nessa profissão não é quando quer. Se me convidam, eu venho. Mas estou bem no catar. Estou como um conselheiro da organização do Mundial de 2022. Ele ganhou o direito de sediar essa competição e creio que Qatar vai organizar uma Copa dos sonhos.

O que você acha dessas dúvidas sobre a escolha do Qatar?

Só posso falar dos meus sentimentos. Cada um fala de seus interesses. Se fala de temperatura, de tanta coisa... Mas as condições para realizar uma Copa são perfeitas. A temperatura de acordo com o desejo de cada um. Tudo está perto, o hotel é de primeira categoria. Para os torcedores, é melhor. Em um dia dá para ver dois jogos. Os estádios já começaram a ser construídos. Qatar tem tudo de primeiro nível.

Que lições o Qatar pode tirar da organização do Brasil? Como comparar?

São países diferentes. São Paulo é uma das maiores cidades do mundo. Então, comparar não é correto. Qatar é um país dos sonhos. Quando era treinador do Chade, me perguntaram em que temperatura queria jogar. Mas como assim? Ficou 23º. Mas eu tinha até um problema porque por baixo da roupa sentia frio. Um país que tem líderes com essa visão é uma coisa que deve ser uma felicidade.

E a Seleção Brasileira?

A Seleção Brasileira joga em casa, tem um público extraordinário, tem jogadores que atuam em grandes equipes e dois treinadores campeões do mundo. Tem quase tudo perfeito. Mas deve ganhar. E não é fácil.

E qual seria uma segunda seleção para brigar?

Mas eu não disse que o Brasil é a primeira...

Então qual é seu favorito?

Se me perguntassem há dez dias, minha favorita era a Espanha. E a Espanha ainda tem qualidade de se classificar, com os jogadores que tem... Minha alegria especial também é com o México e Costa Rica. Espero que Nigéria e Honduras também me deem alegria, assim como Estados Unidos.


Só Parreira foi a mais Copas que Bora Milutinovic (Foto: Paulo Sérgio)

O que pensa sobre Neymar?

Neymar tem um grande talento. Tenho certeza que é um garoto de bem, que vai alcançar uma carreira exemplar. Nesse país como o Brasil, existem tantos bons jogadores. Se ele entrar na lista de grandes jogadores será fenomenal.

Por que os técnicos brasileiros não deram certo na Europa?

Não posso dar resposta porque os respeito muito.

Você sempre dirigiu seleções pequenas. Qual o prognóstico para elas nesta Copa?

As condições de jogo mudaram. Não há, como naquele tempo. Em Costa Rica, meus jogadores nunca tinham ido a Europa. Foi tudo desconhecido. Hoje, a maioria joga na Europa. É uma grande vantagem. Há muito talento nesses países, porque há paixão, jogadores humildes dentro de campo.

O que pensa sobre a Bósnia?

Eu nasci a 200 metros da Bósnia. Só um rio me separou. Quando alguém alcança a classificação para a Copa. Tem um super atacante, que é Dzeko. Todas jogam fora do país.

E o técnico Susic?

Susic é um bom técnico, porque ele é um líder que vê o que as pessoas normalmente não veem. Por isso vejo que isso também é vantagem do Brasil. Os dois treinadores são inteligentes e campeões do mundo. Deve saber contra quem joga, onde joga... Susic é muito bom treinador, porque joga bem xadrez.


A Bósnia estreou na Copa com derrota, mas Ibisevic marcou diante da Argentina (Foto: Paulo Sergio)

Qual Copa mais te marcou?

O que lamento nas minhas Copas é que jogamos contra o Brasil três vezes. É sério. Em 1990, perdemos com a Costa Rica por 1 a 0, um gol contra. Em 1994, com os Estados Unidos, um gol de Bebeto. Em 2002, foi 4 a 0 com a China e estavam Roberto Carlos, Ronaldo e todos os outros. Lamento, mas me dá muito prazer está aqui no Rio.

Ainda vai tentar recuperar o recorde de participações em Copas do Parreira?

Respeito muito ao Parreira. É um treinador muito exitoso. Mas nunca fui atrás de números, para saber se vou ou não. Penso que é o destino. Estive em cinco Copas, em diversas eliminatórias. A história só acaba no dia em que eu for, espero que não seja breve.

Como imagina que seria a seleção da Iugoslávia hoje?

Com certeza o time não seria unido (risos). Teria esse problema. Temos talento. Na Bósnia, o Susic foi um grande jogador. Na Croácia, tivemos Suker e Boban. Que bom que temos esses times nessa Copa do Mundo. E temos até uma lenda do futebol brasileiro que vem do Partizan de Belgrado. Qual é o nome dele? Petkovic. Um sérvio triunfando no Brasil? Não é lógico.

Pet foi injustiçado na seleção iugoslava?

É difícil, porque estava muito longe. Para jogar na seleção as pessoas devem te ver. Do contrário, é difícil. O treinador não te conhece, não te vê... Eu escolheria ele, porque viria muitas vezes ao Rio para vê-lo jogar.

A Copa no Brasil é bom para ir à praia né?

Praia? Não gosto da praia, não sei nadar.

Quais times chamam sua atenção no Brasil?

Quando criança, gostava do Fla x Flu. Depois chega Pelé..E além disso, sabe que joguei contra Pelé? Em Strasbourg. E sabem quem marcou Pelé? Não importa, porque Pelé ganhou. As equipes mais famosas são onde jogam os jogadores mais famosos. Mas o Santos não era famoso por Pelé, mas pelos resultados. Tem São Paulo, Grêmio...

Quem vai estar na final da Copa?

Espero que alguma equipe que eu queira, mas não posso dizer.