icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci e Russel Dias
06/02/2015
14:46

Há dois anos sem um patrocinador master, o Santos segue em busca de parceiros em meio a otimismo, novas estratégias, mas ciência de que a missão não é fácil. As conversas com a Huawei, empresa chinesa que estampou sua marca na camisa alvinegra no fim do ano passado e tinha acordo encaminhado para 2015, esfriaram em janeiro. Entre outros motivos, a mudança no comando da fabricante de eletrônicos prejudicou as tratativas. Assim, o marketing santista trabalha em outras frentes. E aposta em qualidade e não quantidade.

Alex Fernandes, novo gerente de marketing do clube falou ao LANCE!Net sobre o início de seu trabalho, os projetos que têm e o que está fazendo para conseguir, enfim, a tão esperada receita de patrocínio. Esta é a segunda passagem dele pelo Peixe, já que desempenhou a mesma função nos anos 2000. Confira abaixo a entrevista:

Qual o seu maior desafio nesse início no clube?
A estruturação do setor e o planejamento para os próximos três anos. Colocar novas diretrizes, fazer uma reestrutura de pessoas, parceiros, tecnologia... Preparar a máquina pelo que vem pela frente! Mas tem que se considerar outros assuntos importantes, como captação de patrocínio e outras ações.

Por falar em patrocínio, qual a situação do Santos e do mercado?
Hoje temos uma oferta grande de clubes tradicionais sem patrocinador e um universo pequeno de empresas com potencial para investir nessa área. Ainda tem a questão macroeconômica, com uma tendência do empresariado puxar o freio nos investimentos, e o fato de a Olimpíada já começar a captar patrocínio.

Até por essas questões, o clube pode reduzir um pouco a pedida?
Quem determina o preço é o mercado. Quando a gente vê que não tem demanda dentro de um patamar de preço, temos que nos readequar dentro da realidade de mercado. Isso não quer dizer que vamos descer a um patamar que vai vulgarizar o produto que temos.

Quais os diferenciais do Santos para conseguir esse patrocínio?
Oferecemos um pacote diferenciado, com uma sinergia entre o futebol e o produto que o patrocinador oferece. Não pode ser algo de massa, oferecer em larga escala. É melhor falar com menos potenciais parceiros, mas com mais atenção. Estamos estudando a empresa, o mercado que ela atua e a partir disso propomos um patrocínio sob medida.

A receptividade das empresas ao Santos tem sido positiva?
Dificilmente as empresas se negam a ouvir nosso projeto. Despertar o interesse tem sido positivo, mas negociação de patrocínio, principalmente master, não ocorre em um estalar de dedos. Mas é bom lembrar que contamos com empresas parceiras que prestam serviço para a gente e colaboram com esse processo de prospecção.

O clube pode apostar em acordos pontuais?
Eu não gosto de patrocínio pontual, não que o Santos não vá atuar um dia eventualmente com um acordo assim. Mas prefiro oferecer uma degustação a alguma empresa que tenha interesse e potencial de investir no Santos, já com valor fixado para ela sentir o que pode receber de maneira contínua, não só pontual. Já o pontual pura e simplesmente não buscamos, não é nosso foco, embora eu não descarte.

As conversas com a Huawei se encerraram?
O que aconteceu foi uma questão interna da empresa, que passou por uma mudança no quadro diretivo. Eles vão começar do zero, vão ter que "vender" internamente a ideia da parceria com o Santos para o novo dirigente, que pouco conhece do Brasil e do futebol. Essa empresa tornou-se conhecida no Brasil muito graças ao Santos. Ainda podemos retomar o contato.