icons.title signature.placeholder Felippe Rocha
22/06/2014
07:10

Se o duelo entre as pouco cotadas Coreia do Sul e Argélia será interessante, só o Beira-Rio, a partir das 16h deste domingo, vai dizer. Mas a Copa do Mundo é isto: um grande encontro de equipes, culturas e histórias. Histórias como a da brasileira Monica Silva, de 29 anos, e do argelino Bader Bouanaka, de 36. O casal que se conheceu pela internet, só se viu no dia do casamento e vive, em Curitiba, a união entre seus países.

Tudo começou, na verdade, em 2009, quando Monica se converteu ao Islamismo. Mal sabia ela que, no ano seguinte, através de um chat do curso de francês, conheceria o seu futuro marido.

– Nós namoramos por dois anos. Sempre por Skype. Ele lá e eu aqui. Só nos vimos pessoalmente no dia do nosso casamento – lembra Monica, explicando que a embaixada brasileira na Argélia não permitiu que, em 2012, Bader viesse ao país. E como a estadia de estrangeiros na Argélia também é difícil, o casamento precisou ser consumado na Tunísia:

– De férias, fui para a Tunísia (que não pede visto a estrangeiros) encontrar com ele. Depois fomos para a Argélia. Achava que seria mais fácil para voltarmos juntos, mas não.

Monica, então, deixou o emprego no ramo imobiliário e a família para viver com o marido no país de cultura tão diferente da brasileira:

– Resolvi abandonar tudo e ficar. No início, minha família não gostou nada. Teve um momento até que precisei de ajuda financeira, e foi complicado. Mas agora está tranquilo.

Obtido o visto permanente no país do Norte da África, ficou mais fácil para o casal muçulmano se mudar para o Brasil no ano passado e dar continuidade à família em Curitiba: Hamza Youcef, de 40 dias, vive sua primeira Copa.

Adaptação mais fácil para ela. No Brasil, ele sofre

A conversão de Monica ao Islamismo foi fundamental para a adaptação da curitibana na Argélia. Ela acredita que, se por ventura não fosse adepta à religião, o convívio com Bader e com a família do marido seriam bem diferente.

– Como eu sou muçulmana, ajudou muito no nosso relacionamento. Acredito que eu não teria a mesma aceitação. Até porque é um país que também tem suas diferenças – lembra, citando ainda que não viveu uma “vida de casal” quando esteve longe do Brasil.

– Lá não é igual ao Brasil. Ele ainda morava com os pais e irmãos. Então, ficamos morando na casa de uma irmã que já era casada.

A vida do argelino, porém, não tem sido fácil aqui. Formado em informática, trabalhava como gerente em seu país, mas tem tido problemas:

– Ele não fala bem o português, então trabalha como auxiliar de produção em uma fábrica. Ele se incomoda, vamos ver algo mais para frente.

E a torcida cresce: Bader vai no jogo de quinta-feira

Curitiba, que abriga o casal e mais uma considerável legião muçulmana, vai receber o jogo da Argélia contra a Rússia, na quinta-feira.Cuidando do recém-nascido, Monica não vai, mas Bader estará no estádio com amigos argelinos:

– Ele tem dois amigos argelinos que moram aqui no Brasil que vão. Tem ainda um outro chegando com a esposa, que é brasileira. Aliás, eu os apresentei. O Hamza é muito pequeno, por isso não vou.

Geografia: Onde fica?

Pouco noticiada por aqui, a Argélia fica no Norte da África e tem Argel como capital e maior cidade. É banhada pelo Mar Mediterrâneo e faz fronteira com seis países. O território de 2.381.741 Km² é grande no continente africano, mas é muito inferior aos 8.514.876 Km² do Brasil. A religião predominante é a muçulmana, contando com quase 100% da população.