icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
04/11/2014
09:32

Dentro da massacrante maratona de jogos e viagens nesta reta final de temporada, dois jogadores do São Paulo têm resistido bravamente ao desgaste físico e mental: Rogério Ceni e Edson Silva. Desde o dia 12 de outubro, quando o time foi derrotado pela última vez, foram sete partidas e quatro viagens pelo Brasil e pela América do Sul. E a dupla participou integralmente de toda essa jornada do Tricolor.

– Quando chega dentro de campo a gente esquece tudo, mesmo que exista um cansaço que possa atrapalhar. Não tem jeito... Dentro de campo a gente tem que esquecer – determinou o zagueiro Edson Silva.

O beque e Ceni disputaram mais de 630 minutos nos últimos 20 dias e passaram por Belo Horizonte, Santiago, Concepción e Talcahuano no Chile, Chapecó e Criciúma em Santa Catarina e na noite de ontem chegaram a Guayaquil ao Equador. O trajeto até o palco do confronto com o Emelec, marcado para as 22h desta quarta-feira, contou com escala em Lima, no Peru, e conexão em Quito. Mas antes de embarcar para o Equador, o São Paulo enfrentou martírio para deixar Criciúma no domingo.

- Tento fazer meu melhor, sempre motivando todos. A gente está bastante cansado, porque viajamos depois do jogo. Chegamos às 4h em casa e saímos de novo. Para a hora do jogo, tem que se motivar sempre e desenvolver o melhor papel. Vencemos o primeiro jogo em casa, mas tivemos um pedacinho ruim. Que a gente consiga fazer um jogo inteiro bom - projetou Ceni.



Devido ao mau tempo e à estrutura limitada do aeroporto de Forquilinha, a poucos quilômetros de Criciúma, o voo tricolor que trazia o presidente Carlos Miguel Aidar e levaria os jogadores de volta a São Paulo foi impedido de pousar. Assim, o mandatário voltou à capital paulista sem ver a vitória por 2 a 1 e os atletas tiveram de seguir de ônibus até Florianópolis para, então, voltar para casa. Ou seja, mais motivo de revolta contra o apertado calendário brasileiro.

– Nem falo por mim, não tem problema, mas é desumano para os jogadores o que eles tiveram que passar. Como vamos ganhar de 7 a 1 da Alemanha? – bradou Aidar ao LANCE!Net.

O alento é que, desde que Muricy Ramalho anunciou as tragédias que esta maratona poderia trazer ao Tricolor, o time não sofreu mais nenhuma derrota. Nas últimas sete partidas, revés apenas para o Atlético-MG, um empate e cinco vitórias. O retrospecto mostra a superação do grupo, mas não diminui o medo.

RANKING DE MINUTOS NOS ÚLTIMOS SETE JOGOS:

Rogério Ceni - 630 minutos
Edson Silva - 630 minutos
Alan Kardec - 562 minutos
Alvaro Pereira - 540 minutos
PH Ganso - 536 minutos

CONFIRA BATE BOLA COM ROGÉRIO CENI:

Você deu um susto na torcida quando escorregou e alegou dores no punho esquerdo?
Está doendo. Foi uma pancada na mão, mas o punho é que está doendo. Tomei um tombo feio, sozinho. Escorreguei porque o campo estava muito liso. Quando fui sair, caí de mau jeito, mas vai estar bom para o jogo.

E o desgaste físico provocado pelos jogos e pelas viagens?
Não existe conquista sem sacrifício. É também ingrato pegar três jogos tão distantes um do outro, em um momento importante. Temos que superar e ir atrás do que nos coloca em situação de título na Sul-Americana e de se manter bem no Campeonato Brasileiro.

A pressão da torcida do Emelec pode atrapalhar o time?
Todos os jogos preocupam. A gente vive o jogo na cabeça antes, e ele acontece às vezes como a gente não prevê. São experiências que a gente passa na vida. Acúmulo de experiência que os jogadores nossos passaram.