icons.title signature.placeholder Marcio Porto
16/06/2014
08:03

Estados Unidos e Irã nunca estiveram tão perto desde que romperam relações diplomáticas, em 1979, quanto agora no Brasil. As duas seleções, que estreiam nesta segunda-feira na Copa do Mundo, contra Gana e Nigéria, respectivamente, estão sediadas em São Paulo separadas por apenas 23 quilômetros, entre os CT’s do Corinthians e São Paulo.

No entanto, o acesso geográfico não estreita as relações quando o assunto são as diferenças culturais e adaptação entre as nações.

Falar de política no Irã? Nem pensar. Antes da estreia, o LANCE!Net acompanhou o treino dos asiáticos no CT Joaquim Grava e foi repelido quando tocou no assunto. Os jogadores são proibidos de comentar. E o mal-estar é visível quando se evoca os EUA, mesmo entre os 60 jornalistas iranianos que estão aqui.

– Não fale desse assunto – avisou um deles, com certa irritação.

Eles são fechados. Os jogadores não deixam a concentração em Guarulhos e interagem pouco. São respeitosos, mas reservados. O contato pode até ser agitado, mas só entre eles. Cumprimentam-se com quatro beijos, dois de cada lado do rosto. Intimidade e respeito.

O idioma persa é outra barreira. O tradutor precisa se dividir entre o auxílio ao técnico português Carlos Queiróz e aos jornalistas de outros países. Na sexta, a primeira entrevista do presidente da Federação Iraniana aqui foi sem tradutor.

Nos EUA, o contrário. O time e os profissionais de mídia se aproximaram dos brasileiros e dos funcionários do São Paulo. Na semana passada, a delegação ofereceu um churrasco, no dia em que cerca de 700 torcedores foram ao treino aberto. A interação rolou solta.

Popularidade que o Irã não tem, mesmo com as grandes diferenças, que geralmente provocam curiosidade. De acordo com seguranças do CT, é como se eles não fossem percebidos na região do Parque Ecológico. O treino aberto, imposto pela Fifa, recebeu só cerca de 50 pessoas no CT do Audax. Neste ponto, o técnico Carlos Queiróz tem sido um alento.

Como a maior parte do grupo só fala persa e não ingles, o treinador tem cansado de dar entrevistas. Geralmente, é ele quem atende a imprensa nos treinos, até pelo português.

De semelhante, o forte esquema de segurança e Steve Beitashour. O lateral-direito do Irã nasceu nos EUA, mas é filho de iranianos e vai jogar a Copa pelos asiáticos. É um elo perdido entre tanta diferença, até sem as barreiras da distância.

Países discutem questão nuclear

Inimigos há pelo menos três décadas, Estados Unidos e Irã se aproximaram mais nos últimos anos. Na semana passada, representantes dos dois países se reuniram em Genebra, na Suíça, para discutir o programa nuclear de Teerã, capital iraniana. Os EUA sempre acusaram o rival do uso para fins militares. As partes romperam após a revolução de 1979, quando estudantes iranianos tomaram a embaixada americana em Teerã e fizeram 52 reféns.

ENCONTRO EM COPAS FOI ÉPICO

IRÃ 2X1 EUA - Copa do Mundo de 1998
Confronto quase impossível desta vez, Irã e EUA já se enfrentaram em Copas. O duelo pela primeira fase na França foi histórico. Havia a preocupação por conta dos fatores políticos, mas o que se viu foi um clima de paz. Antes do jogo, os jogadores do Irã ofereceram flores aos americanos e todos posaram para fotos. Em campo, a vitória asiática veio com gols de Reza Estili e Mehdi Mahdavikia – Brian McBride descontou.
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Em 2014
O Irã está no grupo F e os EUA, no G.Só podem se enfrentar em cruzamento nas quartas de final ou em uma final inimaginável.