icons.title signature.placeholder Michel Castellar
14/03/2014
07:07

A prefeitura do Rio quer tirar da Zona Portuária a Vila de Mídia e Árbitro dos Jogos Olímpicos de 2016 e levá-la, a princípio, para Jacarepaguá, na Zona Oeste. A intenção já desencadeou uma série de críticas.

A Vila de Mídia e Árbitros do Porto foi projetada para ter 3.034 quartos e, destes, 2.800 seriam utilizados nos Jogos. No projeto da candidatura carioca para ser a sede das Olimpíadas, essa vila não existia.

Só após um movimento liderado pelo arquiteto e urbanista Sérgio Magalhães para retirar obras olímpicas da Barra da Tijuca e fazer com que a região central da cidade fosse beneficiada em prol do estímulo ao seu crescimento, é que a Vila de Mídia do Porto foi projetada. A nova mudança faz com que a concepção inicial seja retomada.

– Isso ocorre por causa da pressão imobiliária feita a favor da região da Barra. Com isso, o movimento para a revitalização da região central da cidade está se enfraquecendo – afirmou Magalhães.

A previsão é a de que a nova Vila seja erguida em um dos três conjuntos habitacionais do projeto “Minha Casa, Minha Vida”, previstos para Jacarepaguá. Além dos alojamentos para Árbitros e parte dos jornalistas responsáveis pela cobertura dos Jogos, o Centro de Imprensa para a Mídia não-credenciada também não será mais construído no Porto.

De acordo com a prefeitura do Rio, a alteração de local representará uma economia de cerca de R$ 70 milhões, que seriam gastos no pagamento dos aluguéis dos quartos, durante um ano. Além disso, a mudança para a Zona Oeste facilitará a logística dos profissionais.

A prefeitura carioca ainda negou que a mudança foi motivada pelo atraso na construção do prédio no Porto. E confirmou que pedirá autorização ao Comitê Olímpico Internacional (COI) durante reunião no Rio, na próxima semana.

Centro de mídia também terá local alterado

O Centro de Mídia para a Imprensa não credenciada nos Jogos Olímpicos do Rio também poderá sair da Zona Portuária e ir para a Barra da Tijuca. Mas o grande problema é que, com isso, cria-se um outro problema.

Por reunir cerca de 15 mil jornalistas, que não têm acesso às instalações olímpicas pela falta de credenciamento, as sedes procuram fazer o Centro de Mídia em uma área onde os profissionais poderão elaborar suas matérias com pautas sobre o cotidiano da cidade.

E até por isso é que, ao colocar a instalação na Barra, o Rio perderá a oportunidade de divulgar a sua nova região portuária.

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Bate-Bola

Sérgio Magalhães
Arquiteto e urbanista

Qual a sua opinião sobre a provável mudança?
É um erro de cálculo que precisa ser melhor avaliado. Deixar a Vila no Porto representa um ganho de natureza estratégica que tem mais valor do que o dinheiro poupado.

Por que o senhor acha que a prefeitura optou pela mudança?
Ao vender o direito de exploração da região do Porto para a Caixa, através, das Cepacs, a prefeitura ficou sem condições de orientar as intervenções urbanísticas.

A volta da instalação para a Região Oeste vai de encontro ao que o senhor havia firmado com o prefeito Eduardo Paes sobre alocar instalações Olímpicas no Centro.
Sim. E a perda do signo Olímpico no Porto é algo grave e que precisa de uma explicação melhor.

O senhor diria que o prefeito descumpriu o acordo?
Não. Mas a verdade é que uma parte do que combinamos foi tocada e, a outra, não. E isso muito se deve à perda da condição de protagonista com a venda dos Cepacs.