icons.title signature.placeholder Caio Carrieri
06/12/2013
08:00

Depois de Walter Torre e Paulo Nobre escancararem em outubro o racha existente entre Palmeiras e a construtora da sua nova casa, as partes fazem nesta sexta o encontro mais importante até agora do processo de mediação sobre o impasse do Allianz Parque.

Kazuo Watanabe, mediador indicado pelo Verdão, Braz Martins Neto, apontado pela WTorre, se reunirão com Sydney Sanches, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e intercessor sugerido por ambas as partes, para discutir todos os pontos do imbróglio.

O principal desentendimento se dá em torno do número de cadeiras a que cada parte terá direito. A empresa julga ter a prerrogativa de comercializar 100% dos assentos, enquanto o Verdão alega que apenas 10 mil cadeiras especiais são reservadas para a WTorre. A capacidade total gira em torno de 43,7 mil lugares.

Na quarta, houve audiências separadas. Os três mediadores ouviram representantes do clube e da WTorre de maneira independente.

Há novas conferências agendadas para a próxima semana, e as partes esperam uma definição ainda para este ano. Caso Palmeiras ou WTorre não aceite a proposta que será formulada pelos mediadores, o próximo passo será acionar a Câmara Fundação Getúlio Vargas de Conciliação e Arbitragem. O parecer da arbitragem tem peso de sentença judicial, é definitivo e irrevogável.

Um interlocutor do lado palmeirense aponta como possibilidade o clube ceder mais cinco mil cadeiras para a parceira. Membros da cúpula rechaçam essa opção inicialmente e dizem que o clube baterá o pé.

Segundo pessoas que acompanham de perto a discórdia, a WTorre já admite nos bastidores a soberania palmeirense com relação à escolha do preço dos ingressos. No começo do imbróglio, Walter Torre colocava a sua empresa como responsável por determinar o valor dos bilhetes.
O estádio deveria ter sido entregue no primeiro semestre deste ano, de acordo com o contrato. O custo está na casa dos R$ 630 milhões.

O Palmeiras também questiona o acabamento de dois prédios entregues pela construtora – um poliesportivo e outro administrativo. Este último é o de condições mais precárias, sobretudo a fiação elétrica.


Entenda a disputa Palmeiras x WTorre

Cadeiras
As partes começaram a divergir quanto ao número de cadeiras que cada um tem direito no estádio: o clube deseja ter 33 mil, sendo outros dez mil à WTorre. Diante da confusa cláusula no contrato, porém, a construtora diz ter a prerrogativa de negociar todas elas.

Ataque
Ao LANCE!Net no dia 22 de outubro, Walter Torre atacou a diretoria do Palmeiras, disse que Paulo Nobre estava mentindo na disputa, além de avisar que pediu para diminuírem o ritmo das obras.

Resposta
Diante das declarações ao jornal, Paulo Nobre convocou uma entrevista em que mostrou também seu incômodo pela WTorre querer definir o preço dos ingressos em jogos do Verdão, algo que o clube considera ter direito. 100% da renda das bilheterias é do Palmeiras – mesmo quem comprar uma cadeira terá que pagar entrada para as partidas do time. Nobre disse que o ataque de Walter Torre foi “lamentável e infeliz”.

Mediação e prazo
Diante da falta de acerto entre as partes, a WTorre decidiu pedir a mediação do caso para evitar a ida à corte arbitral. O impasse fez com que a própria construtora não garantisse mais a entrega do estádio no prazo – maio, quando estão marcados dois shows da banda One Direction. O clube cogita cobrar a WTorre pelo atraso nas obras, podendo incluir o valor gasto em aluguel de outros estádios e projeção de lucros caso o estádio estivesse aberto.