icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
21/11/2013
19:21

Os últimos dias de corrida eleitoral no Fluminense estão sendo marcados por muitas polêmicas e algumas manobras que podem, inclusive, gerar problemas futuros para o clube. Em reunião realizada nesta semana para definir os últimos detalhes da eleição deste sábado, foi solicitada pela oposição a proibição da entrada dos sócios da categoria Sócio-Futebol no clube no dia do pleito, que definirá o novo presidente para o próximo triênio.

O LANCE!Net apurou que a reivindicação foi apoiada pelo presidente do conselho deliberativo e coordenador do processo eleitoral, Braz Masullo, membro da Democracia Tricolor, grupo também de oposição, e que foi fotografado recentemente em palanque eleitoral discursando favoravelmente a Deley. Cabe ressaltar que a proibição do sócio-futebol entrar no clube pode abrir um precedente jurídico prejudicial ao Fluminense, conforme disse o advogado Mário Bittencourt:

- Pode gerar processos contra o Fluminense, sim. É um absurdo. Essa medida impediria uma categoria de sócios de exercer sua cidadania e ainda quebraria uma regra do contrato do sócio-futebol, que pode acessar todas as áreas do clube em qualquer dia desde que elas sejam relativas ao futebol. É uma medida eleitoreira. É a mesma coisa que tentar impedir um filho de 15 anos de acompanhar o pai ou a mãe no dia das eleições. Ele não vota, mas exerce sua cidadania.

Coordenador da campanha de Peter Siemsen e ex-diretor executivo geral do Fluminense, Jackson Vasconcellos criticou a proposição e garantiu que o clube será aberto a todos os sócios no dia da eleição, independentemente da categoria a que pertençam.

- Essa decisão partiu da oposição e é ilegal. As chapas não podem contrariar a lei e o estatuto. Os sócios têm direitos. O curioso é que o Braz Masullo, que é o presidente do conselho deliberativo e responsável por organizar as eleições, antes de ir para essa reunião, esteve no palanque do Deley fazendo discurso de voto para a oposição. É interessante que eles queiram proibir o sócio-futebol, mas não buscam vetar o contribuinte que também não pode votar. Sabem que a maior parte dos sócios-futebol são favoráveis à candidatura do Peter. Posso garantir aos sócios-futebol de que essa decisão não será aplicada. Ela é ilegal - garantiu Jackson.

O coordenador da campanha de Deley, Antonio Gonzales, foi procurado pela reportagem do LANCE!Net para falar sobre o tema, mas preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Por sua vez, Braz Masullo evitou falar sobre a reunião. Disse que ainda não tinha lido a ata do encontro e que existem muitas fofocas nesta época de eleições. Sobre relatos de que teria garantido a proibição do sócio-futebol de entrar no Fluminense, ele desconversou:

- Ainda lerei a ata e tudo será publicado amanhã (sexta-feira). Até lá, tudo que aconteceu não é oficial. As decisões oficiais serão conhecidas em breve.

O organizador das eleições também não considera estar sendo antiético ao fazer campanha para Deley:

- Não tem nada de errado na minha conduta. Flusócio, Ideal Tricolor, Esportes Olímpicos e Tricolor de Coração apoiam o Peter. O meu grupo apoia o Deley. Quando estou no palanque apoiando a candidatura da oposição estou representando o meu grupo. Além de mim, outras pessoas vão trabalhar no processo e também têm suas preferências políticas pelo outro lado. Tenho a minha e faço campanha por ela.

O clima é conturbado, mas não chega a atrapalhar o ambiente do time de futebol. Prova disso é que o atacante Rafael Sobis disse em entrevista coletiva que não sabia das eleições até a última quarta-feira. O pleito no Fluminense acontecerá entre 9h e 18h do próximo sábado, quando será definido o presidente para o próximo triênio. O embate ocorrerá entre as coligações “Orgulho de Ser Tricolor” e "O Fluminense Somos Nós”, de Peter Siemsen e Deley, respectivamente.