icons.title signature.placeholder Leo Burlá
18/12/2013
17:34

Tido por pessoas próximas como uma rapaz apegado à família, o operário Marcleudo de Melo Ferreira, morto no último sábado após despencar de uma altura de 35 metros, escondeu dos pais que trabalhava na cobertura da Arena da Amazônia.

O segredo foi compartilhado apenas com Marco Antonio de Melo Ferreira, irmão do rapaz. Marcleudo entendia que os problemas de saúde dos pais poderiam se agravar caso soubessem do risco a que estava exposto.

O casal de ex-agricultores padece de diferentes problemas. Enquanto Antônio tem problemas cardíacos, Dona Mundinha convive com uma rotina de fortes e constantes dores de cabeça.

- Eu também fui surpreendida com a notícia. Se ele tivesse me falado, acho que teria pedido para ele não trabalhar nesta função. Ele achou que os pais não ficariam tão preocupados caso mantivesse isto em sigilo. A mãe era tão ligada ao Marcleudo que só demos a notícia depois de a levarmos para ser medicada. Ela só ia dormir depois que ele telefonava para casa - contou Ana Claudia da Silva Almeida, cunhada do operário, em entravista ao L!Net.

O velório em Limoeiro do Norte, Ceará, apenas confirmou que o zelo de Ferreira não fora em vão. Segundo Ana Claudia, a mãe do operário desmaiou duas vezes durante a cerimônia, e foi necessário que uma enfermeira fosse chamada para ficar de plantão no local.

Seu retorno à pequena Limoeiro estava marcado para janeiro, quando a cidade cearense sedia o Limofolia, carnaval fora de época.

- Ele só queria trabalhar e juntar dinheiro para comprar um carro, já tinha até arrumado emprego em uma obra em São Paulo quando a Arena estivesse concluída - disse ao L!Net Mileide Nunes, amiga da família Ferreira.

VISTORIAS

Na última terça, peritos da Justiça do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da construtora Andrade Gutierrez estiveram no estádio de Manaus. Os especialistas estiveram no local para recolher materiais de trabalho dos operários que ficaram na cobertura após o acidente do último sábado.

Segundo o perito judicial Paulo Antonio Barros Oliveira, este procedimento é importante para que o relatório da inspeção seja finalizado e encaminhado à Justiça do Trabalho.

- Existe uma urgência porque a obra está parada. Acredito que a empresa deve cumprir as recomendações com agilidade para que possamos fazer nosso relatório o mais rápido possível e encaminhá-lo à juíza, que certamente dará celeridade na análise - disse Barros.