icons.title signature.placeholder Lucas Faraldo Knopf e Lucas Strabko
13/04/2014
08:00

Campeão paulista em 2002, o Ituano retorna a uma final estadual após 12 anos. Com a vantagem do empate, o time comandado por Doriva visita o Santos neste domingo, às 16h, no Estádio do Pacaembu, em busca do bicampeonato. Os treinadores que comandaram os elencos em ambas as temporadas exaltam o entrosamento e a união do grupo como fatores comuns entre as equipes de 2002 e 2014.

– Nós conseguimos ter uma família, com respeito, com muito trabalho, com todos remando para o mesmo lado. Isso foi o grande diferencial. A equipe sempre jogou da mesma maneira, muito consistente e com muita amizade. Este grupo com certeza vai além do futebol – disse Doriva, o atual comandante.

Ruy Scarpino, técnico do Galo de Itu durante grande parte do Estadual de 2002, chega inclusive a comparar peças individuais dos dois times, afirmando que há semelhanças entre as equipes.

– Se naquela época tinha Vinícius na zaga, hoje tem o Alemão. Na frente, em 2002 era o Fernando Gaúcho, hoje é o Rafael Silva. Quando o Ituano perde a bola, é um time que se recompõe rápido, e cria uma marcação muito forte, não deixa que o adversário toque a bola, igual aquele time que tínhamos em 2002 – declarou o treinador.

VOZES DA EXPERIÊNCIA

Aos 29 anos, Josa é o capitão do atual elenco rubro-negro. Com a mesma idade, Basílio era a referência do Ituano campeão em 2002. Ambos os atletas destacam o "clima familiar" como diferencial dos times.

– A união do grupo dentro e fora do campo. Isso influencia em uma boa campanha – afirmou o volante Josa.

– A união foi feita de confraternizações, festas de família, as esposas se reuniam quando estávamos concentrados – contou o ex-atacante "Vovô Basílio.

EXCENTRICIDADES DO GALO DE 2002

O time daquele ano incorporou, ao menos em partes, o espírito "excêntrico" da cidade de Itu, conhecida por seus objetos de tamanhos exageradamente grandes. Artilheiro da equipe na época, Fernando Gaúcho, por exemplo, precisou ser buscado pelo treinador na rodoviária de Itu às vésperas de uma partida. O próprio atacante, em conversa com o LANCE!Net, contou o causo:

– Tinha sido emprestado para a Caldense, houve um problema no clube, e me devolveram para o Ituano. Me deixaram treinando separado em Itu. Cansado daquela situação, peguei minhas coisas e fui para a rodoviária, iria voltar pra minha casa. Casualmente, o Didi, que era o centroavante, foi mandado embora. Tinham outros dois atacantes, um tomou o terceiro amarelo e o outro se machucou. Não tinha atacante para jogar contra o Botafogo de Ribeirão Preto. O treinador foi me buscar na rodoviária, quando já estava perto de entrar no ônibus, falou que eu iria jogar, isso em uma sexta-feira e o jogo era domingo. Entrei naquela partida, fiz dois gols e dali para frente não saí mais da equipe.

O hoje renomado volante Pierre, atualmente no Atlético-MG, era meia naquela equipe. O então treinador Ruy Scarpino foi quem testou o jogador como volante pela primeira vez. Após ver que o jogador teria bom futuro na nova posição, o técnico afirmou, de forma um tanto quanto indiscreta, que Pierre “morreria de fome” como meia.

– Falei para o Pierre que iria usá-lo naquela função, porque ele tinha mais características de marcador. Ele acabou se firmando como volante. Falei para ele “vem jogar aqui atrás como volante porque você como meia vai morrer de fome”. Ele era um menino bom, a humildade e simplicidade faziam com que ele fosse querido por todo grupo – comentou Scarpino.