icons.title signature.placeholder Fabricio Crepaldi
12/11/2013
08:36

Procurado para negociar sua renovação, Gilson Kleina pode conquistar nesta terça-feira seu primeiro título no comando do Palmeiras, no jogo contra o Paysandu, em Belém. Porém, o que pouca gente sabe é que esse mesmo confronto já teve papel decisivo na carreira do comandante, mas em situação totalmente oposta à desta noite.

Foi em 2005, quando Kleina ainda dava os primeiros passos na carreira. Ele havia sido escolhido para treinar o Papão e tentar livrar a equipe do rebaixamento no Brasileirão. Não deu muito certo. Bastaram 16 jogos para ser demitido. Contra quem foi a última partida? O Alviverde.

O duelo aconteceu em 5 de outubro, no Palestra Itália. A derrota por 5 a 3, de virada, foi o suficiente para o então presidente Arthur Tourinho demitir Kleina do clube de Belém.

Decisão que, na visão de Robgol, um dos maiores ídolos da história do clube e vice-artilheiro daquele Brasileirão, foi errada e prejudicou a equipe, que acabou rebaixada.

– Se o Kleina tivesse continuado, eram grandes as chances de não cairmos naquele ano. Eu não achava que era o momento. Ele era parceiro de todo mundo, tinha o grupo na mão. Eu só fui vice-artilheiro do Brasileirão graças a ele – contou, ao LANCE!Net, o ex-centroavante.

Kleina lembra com carinhos dos tempos de Paysandu. Considera que foi uma passagem de grande aprendizado na carreira e que o trabalho foi bem feito, apesar dos insucessos.

Nesta noite, será a primeira vez que ele voltará a Belém para enfrentar o Papão desde que se despediu do clube. E garante: conquistar o título na cidade e contra o clube que tão bem o acolheram será muito especial.

– Sem sombra de dúvidas que se isso acontecer será marcado um momento especial. Fui muito bem tratado, a torcida me abraçou, todos os funcionários sofreram com a gente... Há pessoas espetaculares na cidade e no clube. Conheci muita gente, todos querem que o futebol cresça. É uma cidade sagrada – afirmou o treinador palmeirense.

Em 2005, o Verdão tirou o emprego de Kleina. Hoje, ele espera viver uma emoção diferente. E, quem sabe, garantir o emprego por mais uma temporada pelo Palmeiras.

Bate-Bola: Gilson Kleina, técnico do Palmeiras, ao LANCE!

Por que as coisas não deram certo para você no Paysandu?
Fizemos algumas vitórias, mas a pontuação era pequena, não conseguíamos nos aproximar dos outros por isso. Cada vitória que conseguíamos não adiantava muito, continuávamos longe do objetivo. Tivemos problemas de saídas de alguns jogadores também e mesmo assim o Robgol foi o vice-artilheiro do Brasileirão. As coisas não caminharam como pensamos.

O que marcou você no clube?
A torcida do Paysandu. Eles são fanáticos, tiveram muito carinho por mim, me abraçaram, me deram atenção. Quando fui sair, mobilizaram para eu não sair. São muito apaixonados, seguram o clube. São muito apaixonados, seguram o clube. Espero que o Paysandu possa se reencontrar e voltar à Série A.

Como era sua vida em Belém?
Em Belém, nos poucos dias que tive de folga conheci alguns pontos turísticos. O calor não é fácil, tive de me adaptar a isso. Onde íamos o povo tinha um excelente tratamento, um carinho muito grande. Fiquei impressionado com a fé do povo na festa do Círio de Nazaré. É uma cidade muito boa de se viver, que me acolheu muito bem.

Bate-Bola: Robgol, ex-atacante do Paysandu, hoje apenas torcedor do Papão, em Belém

O que você lembra da passagem do Kleina pelo Paysandu?
Ele sempre foi um parceiro nosso aqui na passagem dele. Depois que perdemos para o Palmeiras, o presidente Arthur Tourinho me ligou e me disse que ia mandar o Gilson embora e eu disse que não era a hora de trocar. O Gilson era novo, sabia da competência dele, era amigo de todos os jogadores, mas falei que quem mandava era ele. A competência e o caráter dele são fora de série. Infelizmente não conseguimos os objetivos, que eram as vitórias. Estou torcendo muito por ele. Só espero que adie mais uma rodada para salvar o Paysandu (risos).

Por que acha que a saída dele naquela época foi um erro?
Foi uma questão de satisfação para a torcida, de querer mudar algo, a cultura do futebol é essa. A diretoria quis dar uma satisfação para a torcida e para a imprensa. Ele seria de suma importância para nós. Hoje ele vem mostrando que é um técnico de ponta de futebol.

Acredita que o Kleina deve ser o técnico do Palmeiras em 2014?
Sem dúvida. O Palmeiras só tem a ganhar com a permanência, ele só vem mostrando isso a cada dia. A permanência seria fundamental para o clube voltar a ser vencedor.

A Belém de Gilson Kleina

Círio de Nazaré
O treinador ficou impressionado com a tradicional festa cristã do Círio de Nazaré, que leva mais de dois milhões de pessoas às ruas e é considerada umas maiores desse tipo no mundo. "A procissão que eles fazem, segurando em uma corda, me impressionou. É uma festa linda e o povo tem muita fé".

Salinópolis
Cidade fica a 220 quilômetros de Belém, com belas praias. O curioso é que os carros podem ficar na areia. Kleina chegou a levar o elenco do Paysandu para uma intertemporada no local.

Passeios de barco
O treinador também fazia alguns passeios de barcos pelos rios da região, que são comuns na cidade.