icons.title signature.placeholder Felipe Domingues
07/11/2014
08:08

O mais novo centro das atenções na Fórmula 1. Assim pode ser resumido o dia de Felipe Nasr no paddock da categoria nesta quinta-feira, em Interlagos (SP). O brasiliense de 22 anos foi contratado nesta quarta-feira como piloto titular da equipe Sauber para 2015.

A rápida ascensão de Nasr que, há dois anos, iniciava sua carreira na GP2 (a categoria de acesso da F-1), foi impulsionada por um forte patrocínio, bons resultados na pista e, de acordo com o próprio piloto, sorte.

Após uma temporada como piloto de testes da Williams, Nasr trilhou seu caminho rumo ao cockpit titular de uma equipe e já planeja seu futuro na categoria: o título Mundial do campeonato de pilotos.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com Felipe Nasr:

Qual a sensação de, finalmente, assinar com uma equipe na Fórmula 1?
A sensação é otima. Poder acordar com essa notícia. É um sonho não só meu, como da minha família e de quem acreditou em mim. Hoje a gente pôde tomar um passo maior nessa caminhada.    

Tudo aconteceu muito rápido, te surpreendeu?
Foi uma surpresa para mim também, meu empresário e meu tio vinham conversando com algumas equipes, não só a Sauber, e as coisas mudaram muito rápido, até que chegou a hora de assinar tudo. Até eu fiquei surpreso.

Pesou a má temporada da Sauber esse ano na hora de assinar?
A gente tem que considerar que a equipe passou dificuldades esse ano, não só ela, como muitas outras. Mudanças de regulamentos, regras... A Fórmula 1 está preocupada com essas equipes e tenho certeza que esse panorama irá mudar.

O patrocínio do Banco do Brasil foi essencial?
O Banco do Brasil está comigo há três anos. O importante foi que eles não acreditaram na minha carreira só hoje, acreditaram sempre. Não é de hoje que tenho apoio financeiro. Em todas as categorias que passei tive isso. Não sei se por sorte ou resultado. Mas isso é o que é legal, ter pessoas acreditando. Esse é um sonho do Banco, de chegar à Fórmula 1.

Está pronto para a Fórmula 1?
Estou 100% pronto, senão não teria nem começado. A expectativa, tecnicamente falando, é de uma equipe média. Sabemos o que esperar de uma equipe média. Teremos muito trabalho neste ano. Será um ano de aprendizado, não conheço todas as pistas da F-1, é uma equipe nova, um carro novo. Tem muito para eu aprender e digerir neste ano. É manter os pés no chão e tentar trazer os melhores resultados.

Já se imagina correndo em Interlagos?
Imagino. Amanhã vou ter o gostinho pela primeira vez de guiar um Fórmula 1 aqui. Em casa, perto da torcida brasileira... Já vai dar para ter uma noção.

Agora a responsabilidade aumenta, não é?
A responsabilidade aumenta. É o primeiro passo da minha carreira, um pedaço do sonho que sempre tive. Meu primeiro passo é me estabilizar na Fórmula 1, esse é meu objetivo agora. Espero seguir na categoria por muitos anos.

Se dividir uma curva com o Massa, vai aliviar? E ele te deu alguma dica?
Ele é muito experiente. Se eu dividir uma curva com ele, ele vai saber o que fazer. Mas a gente conversa bastante. Uma coisa legal é que ele me disse: 'aproveite, acredite, tudo está na sua mão, basta acreditar em você mesmo'

A torcida brasileira aumenta contigo?
Tem que aumentar. Só soma para o país e para o esporte. Os brasileiros têm uma história legal na Fórmula 1, só vai ajudar o nosso país.

Já dá para fazer um prognóstico do que vai acontecer em 2015?
Acho que é muito cedo para pensar no que vai acontecer. Até eu sentir o primeiro momento no carro e na equipe, não sei o que vai acontecer.

A Sauber já revelou grandes pilotos. Você pensou nisso na hora de assinar?
Pensamos. É uma equipe que dá essa oportunidade, acredita em novos pilotos e eles me deram essa oportunidade de participar em duas temporadas com eles. Um ano é muito pouco, em dois anos você tem a oportunidade de se desenvolver.

Teve outros contatos além da Sauber?
Tive com a Lotus, a Force India e as duas que saíram (Caterham e Marussia). A Sauber ofereceu o melhor para mim e eles procuravam um piloto com bom desempenho. Acredito na equipe. Não é de hoje que conheço a Sauber. Quando fiz a minha primeira temporada na Europa, em 2009, eu ia testar o carro deles. Desde lá temos uma boa aproximação e mantivemos isso. Agora pudemos dar esse passo.

Você entra na F-1 em um momento de baixa. O que pensa de ter sido escolhido entre tantos?
É um momento difícil. Alcançar a F-1 é muito difícil. Requer bons resultados, você precisa de parceiros para te ajudar. Sempre tive alguém acreditando na minha carreira. Claro, tive de trazer resultados, pois sem isso você não chega em lugar algum. Mas foi difícil. Gostaria até de ajudar em um certo momento, tentar montar uma estratégia melhor, para ajudar algum brasileiro a ter uma carreira boa.

O quanto sua temporada na Williams te ensinou?
A Williams é uma equipe excelente. Tive um relacionamento bacana com engenheiros, pilotos, mecânicos... Aprendi muito como piloto e pessoa. Por isso me sinto preparado, por essa experiência que tive. Tudo isso você leva contigo, essas são as referências que levo para a Sauber.

Qual seu sonho na F-1?
É bom sonhar né? Meu sonho é ser campeão do mundo.