icons.title signature.placeholder Marcio Porto
11/11/2014
08:00

Novo comandante da base do São Paulo, Júnior Chávare não vê nenhum problema em ter como principal missão da nova empreitada, abastecer de atletas Muricy Ramalho, que tem fama de não trabalhar bem com os jovens. Ao contrário. O profissional, que é aguardado na capital paulista nesta quarta-feira para assinar contrato, faz generosos elogios ao técnico.

– Não o conheço pessoalmente, mas tenho profunda admiração por ele, porque ele é perfeccionista. E sou obsessivo pela qualidade. Com todo o respeito ao lema dele, mas aqui é trabalho também – afirmou Chávare, em entrevista ao LANCE!NEt.

Ele chega com a moral de quem superou 17 concorrentes, de acordo com o vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro, que já confirma o acordo e as razões pelas quais escolheu o homem que comandava a base do Grêmio. E avisa: a meta de Júnior será revelar pelo menos quatro garotos por temporada.

– É um profissional moderno e com ótimas referências. Metade do time do Grêmio é de garotos que ele trouxe. Vamos adaptar algumas coisas, mas a meta será revelar quatro garotos por anos. Não é uma regra, é uma meta – afirmou Ataíde.

Nesta entrevista exclusiva, Júnior conta como pretende concluir a missão e um pouco do que fez chegar à balada base são-paulina.

Quais os principais desafios que terá na base do São Paulo?

Conseguir que a base produza jogadores o mais pronto possíveis para a equipe principal. Tem de ser a maioria do time, como foi no Grêmio. Passa pelo trabalho, planejamento, métodos a serem utilizados. Nenhum clube pode abrir mão de vencer, faz parte da formação do atleta, mas na formação você tem que correr risco de conquistas. Abrir mão de ganhar , não, mas privilegiar a formação.

De cara, acredita que terá de mudar muita coisa em Cotia?
Um conceito que tenho muito claro: em nenhum local que eu chegue faço caça às bruxas, longe disso. O que está funcionando bem, vai continuar, contribuir, para tentar melhorar. Minha chegada não representa revolução. É um clube muito estruturado, equalizado. Nossa ideia é que a experiência possa vir a somar com o que lá está.

O que espera do trabalho com o Muricy Ramalho?
Não o conheço, mas tenho profunda admiração por ele, porque ele é perfeccionista. Ele busca no trabalho. Somos obsessivos pela qualidade. O Muricy vai ter nas categorias de base uma ferramenta que ele vai poder usar da forma que desejar. Cabe a nós entregar o mais rápido possível. Com todo o respeito ao lema dele, mas aqui é trabalho também.

É seu principal lema?
Sim, aqui é trabalho! Aqui é trabalho! Isso nunca pode ser superado por nada! Temos que buscar constantemente, com novas possibilidades, vivemos disso. Por isso sou fã do Muricy.

Na sua avaliação, ele aproveita bem os garotos? Há muitos críticos dele quanto a isso.
Não quero criar um pré-julgamento, só acompanho à distância. Tenho certeza de que se nós produzirmos os atletas nas condições mínimas que ele necessita, vamos atender. A formação tem que ser a prioridade, porque o profissional tem cada vez menos tempo. O compromisso da formação é nosso, de fazer o melhor para ele. A partir daí fica em cima das opções que ele tem. A por ser vencedor, ele vai saber escolher.

Quais os métodos de trabalho? Por que acha que foi escolhido?
Meu perfil é de formar pessoas. Sou muito exigente, mas deixo as pessoas trabalharem. A instituição é o foco. No Grêmio, posso sair hoje e não vai mudar nada, porque já há o projeto, nada está centralizado. Meu banco de dados é uma particularidade. Tenho mais de três mil jogadores monitorados. Tem muita gente que gostaria de ver isso, e é meu segredo (risos). Monitoro de perto uns 10% desse número.

Recentemente, a maioria dos clubes formadores ameaçou um boicote contra o São Paulo por questionar a ética do clube na captação de atletas. A acusação era de assédio indevido, contra o código de ética. O que achou desse movimento?
Não posso falar do passado. Acompanhei casos recentes e o São Paulo sempre se mostrou participativo a resolver os problemas. Nunca tive problema com o São Paulo. Muitas vezes eram outras pessoas usando o nome do clube, mas quando você checava, não era verdade. Eu acho o código de ética entre os clubes imprescindível. Todo mundo ganha.