icons.title signature.placeholder Renato Rodrigues
19/11/2013
09:05

Romarinho é acusado de ser um dos maiores vilões da má fase do Corinthians neste Campeonato Brasileiro. Em rota de colisão com a torcida, o atacante – que já não brilha como em jogos contra o rival Palmeiras ou mesmo como na final da Libertadores, contra o Boca Juniors, na Bombonera – diz que a Fiel tem o direito de cobrá-lo, mas afirma que já parou de sair à noite para curtir balada em São Paulo, principal motivo da bronca dos torcedores.

Em entrevista ao LANCE!Net, concedida no vestiário do Pacaembu, após o empate por 0 a 0 com o Vasco, no último domingo, Romarinho falou pela primeira vez sobre os xingamentos de cachaceiro e baladeiro, dos quais tem sido alvo. Receoso em um primeiro momento e de cabeça baixa, respondeu sobre as polêmicas que o rodeiam e disse que os problemas com baladas e bebidas ficaram para trás.

Minutos antes, havia ouvido de novo seu nome ser gritado de forma hostil pela torcida: “Romarinho, c..., fora do Timão!”. No fim de outubro, uma das uniformizadas do Corinthians fôra até o portão do CT Joaquim Grava mostrar sua insatisfação com o atacante, que não faz gol há quase três meses – o último foi na goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo, em 1 de setembro. No protesto, um torcedor usou peruca em referência ao cabelo do jogador e postou-se em frente a uma mesa com garrafas de vodka e uísque.

Com a comissão técnica, porém, Romarinho continua com prestígio, apesar de o próprio técnico Tite ter admitido que o chamou no “breu” para cobrá-lo, sem que ninguém ficasse sabendo. Mesmo assim, ele ainda é o segundo jogador do Corinthians que mais atuou em 2013, com 65 jogos, só atrás do zagueiro Gil, 67. A disposição para fazer diversas funções em campo e a resistência física – prerrogativas de Jorge Henrique, quando este estava no clube – também ajudam. Difícil é saber como ele vai recuperar o status de revelação e carrasco do Palmeiras que tinha.

Confira abaixo o bate-papo com o jogador do Timão:

De novo, torcedores gritaram no estádio, pedindo sua saída do Corinthians. Como você reage a essa pressão insistente?
Eles têm todo o direito de protestar seja contra quem for. A gente tem que procurar trabalhar, ouvir o que as pessoas têm a dizer, mas ouvir só as coisas boas de críticas. As coisas que não têm nada a ver a gente releva, e segue em frente.

Mas eles têm razão de lhe chamar de baladeiro, cachaceiro, como no protesto organizado por integrantes de uniformizadas em frente ao CT, há três semanas?
Acho que isso não tem nada a ver. Isso (de sair à noite) foi há muito tempo, era na época em que a gente estava bem, ganhando jogos, títulos. Todo mundo saía mesmo, não era só eu. Agora, neste ano, não tem nada a ver isso que estão fazendo. Estão levando em conta coisas que fiz no ano passado. Mas tenho que trabalhar.

Você está tentando se resguardar agora?
Com certeza. Eu não vou colocar a cara na rua com o time nessa situação, numa fase dessa. Como eu disse, é o momento de trabalhar e rever o que está acontecendo.

Mas você chegou a ter problema com torcedores alguma vez em que saiu à noite?
Não, nenhum. Até porque a fase era boa. Os torcedores não tinham o que cobrar, então foi tudo bem.

Então, é uma injustiça essa cobrança em cima de você, nos treinos e nos jogos do Corinthians?
Não. Acho que eles podem cobrar o que quiserem. Eles pagam ingressos, podem reclamar.

Dá para explicar por que o time empata tanto e não consegue fazer gols? Foram 16 empates no Brasileirão, nove por 0 a 0...
É complicado. A gente tenta de tudo lá no ataque, mas a bola não entra. A fase está ruim, isso está claro para todos nós. Temos que fazer mais ainda do que estamos fazendo. Trabalhar forte...

Sem chance de Libertadores, já livre de rebaixamento, pelo que o Corinthians vai jogar até o fim do Brasileiro agora?
A gente tem que dar o máximo, até pelo Tite. Contra o Vasco tentamos a vitória de qualquer jeito, mas vieram com três zagueiros, três volantes... Fica difícil. Eles também não estão na fase boa... Temos de fazer de tudo também para o Tite ter uma boa despedida. Pelo que ele fez pelo Corinthians, por nós jogadores.


A trajetória de Romarinho no Timão

Interesse do Corinthians
Considerado a revelação do Campeonato Paulista de 2012, Romarinho se destacou pelo Bragantino. Após quase ir para o Santos, assinou por quatro anos com o Timão.

A explosão
Sendo preparado pela comissão técnica, Romarinho só foi estrear no dia 9 de junho, contra o Grêmio. Logo em seguida, fez dois gols no Dérbi contra o Palmeiras, se prestigiando para ganhar chances na equipe que disputava a Libertadores. Na grande final, contra o Boca Juniors (ARG), em plena Bombonera, fez o gol de empate da equipe em 1 a 1. Com a “ajuda”, caiu de vez nas graças da torcida.

Interesse da Europa
Enquanto disputava o Brasileiro de 2012, sondagens do Velho Continente chegaram pelo atacante. Considerado muito novo e com “chão“ ainda para percorrer no Timão. O Bayer Leverkusen, da Alemanha, foi o maior interessado em levá-lo do Corinthians.

A queda de rendimento
Com problemas de lesões e saídas de jogadores, Romarinho iniciou 2013 como titular e nunca mais saiu do time. Depois de um bom primeiro semestre, sendo importante no título do Paulistão, por exemplo, seu futebol praticamente sumiu. Torcida foi perdendo a paciência e começou a pegar no seu pé. Hoje, corintianos querem sua saída do clube.

Pato e Sheik: os outros alvos

Romarinho não é o único alvo da torcida neste mau momento do Corinthians. Também atacantes, Alexandre Pato e Emerson Sheik são os outros jogadores que estão sofrendo com a ira da Fiel. Ambos tiveram seus nomes citados no protesto do fim de outubro, no CT, e no domingo, no Pacaembu.

Pato não enfrentou o Vasco porque estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo, mas Emerson escutou os gritos pedindo sua saída do clube. Parte dos torcedores ainda reclamam, insatisfeitos, do selinho que Sheik deu em um amigo, em agosto deste ano. Em recentes entrevistas, o camisa 11 afirmou que não se importa com os protestos.