icons.title signature.placeholder Luis Fernando Ramos
24/11/2013
10:54

A área reservada para a equipe Toro Rosso na parte de trás dos boxes em Interlagos esteve movimentada durante todo o final de semana. Afinal, a última corrida de Daniel Ricciardo pela equipe significa também que seu próximo passo será rumo à Red Bull – e a imprensa do mundo inteiro quer ouvi-lo sobre isso. Apesar do assédio elevado, o australiano, que substituirá o compatriota Mark Webber no time austríaco, não perdeu o largo sorriso e o bom astral ao atender o LANCE!Net para falar da maior e mais importante mudança de sua carreira.

Neste domingo, no Grande Prêmio do Brasil, ele partirá da sétima colocação, à frente inclusive do brasileiro Felipe Massa, da Ferrari.

Confira, abaixo, a entrevista que Ricciardo concedeu ao LANCE!Net:

L!Net: Daniel, ouvi de você em 2010 que você era uma pessoa bem sossegada, cujo maior prazer era sair de buggy pelo deserto perto de Perth (AUS) para acampar com os amigos. Agora vai viver o assédio e a pressão de fãs e da imprensa como piloto de
uma equipe de ponta da Fórmula 1. Você está preparado?
Ricciardo: Com certeza, estou pronto. Acho que a pressão real será a leitura que eu fizer dela. Ainda poderei ter meu tempo para relaxar e fazer as coisas que gosto longe das corridas. Certamente nos circuitos será uma loucura maior, mas ainda poderei viajar para as cidades que eu quiser visitar, ser normal e fazer minhas coisas. Não estou preocupado.

L!Net: Nesse sentido você se parece com Sebastian (Vettel), que ainda faz suas coisas sem deixar que o sucesso suba à cabeça. Seria um indício de harmonia nos boxes da Red Bull em 2014?
Ricciardo: Acho que sim. Seb consegue muito bem separar sua vida pessoal das coisas que acontecem dentro da pista. No fim das contas, agirei da maneira que me deixa feliz e confortável. E principalmente agir para o que for melhor para me trazer sucesso dentro da pista. Tendo sucesso na pista, poderei curtir meu tempo fora dela.

L!Net: Falando sobre Webber, você o seguia antes mesmo de ele chegar à F-1, quando você corria de kart?
Ricciardo: Me lembro de vê-lo correndo em carros esportivos, ele teve um grande acidente em Le Mans. Sabia quem ele era, um piloto rápido e correndo na Europa, mas não conhecia muito mais além disso. Mas só quando ele chegou à Fórmula 1, soube que ele era um cara muito bom.

L!Net: Webber sempre deixou claro quando sentia que algo na Red Bull não estava certo e que ele tinha recebido um tratamento injusto em relação a Vettel. Você teme que coisas assim podem acontecer?
Ricciardo: Eu preciso chegar à Red Bull de uma maneira positiva. Acho que infelizmente para Mark, ele sofreu muito azar. Mas não estou preocupado com nenhum tipo de conspiração. Tenho certeza que o time me dará portas abertas para tudo e cabe a
mim aproveitar isso.

L!Net: A Red Bull teve um carro capaz de vencer corridas nos últimos cinco anos. Se fizer o mesmo em 2014, você considera uma obrigação obter sua primeira vitória na F-1?
Ricciardo: Tenho a confiança de que farei um bom trabalho no ano que vem e espero que isso se traduza com um lugar no alto do pódio. Veremos. Prefiro não falar muito, vai que não tenhamos um carro competitivo. Vamos ver como será na briga direta com
Seb, mas me sinto confiante.

L!:Net: Marc Márquez foi campeão em seu ano de estreia na MotoGP agora em 2013, Lewis Hamilton brigou pelo título quando começou na F-1, Vettel também brigou pelo título na primeira temporada com um carro competitivo, como o da Red Bull. Você se vê fazendo o mesmo?
Ricciardo: Este é o meu objetivo. Quero ir para a pista, dar o meu melhor e me medir com os melhores. Há diversos campeões mundiais brigando na frente do grid e seria ótimo me misturar com eles. Marc Márquez é com certeza minha principal inspiração. Chegar numa categoria e ser campeão logo de cara é muito especial. E ele é muito mais jovem do que eu, então com certeza vencer o campeonato não é impossível.

L!Net: Você já fez algum trabalho no simulador com o carro de 2014?
Ricciardo: Sim, fiz uma sessão com a Toro Rosso. O comportamento do carro parecia muito diferente. Acho que teremos de adaptar nossa pilotagem um pouco, mas será uma transição parecida com a que tivemos quando houve a mudança dos pneus Bridgestone para os Pirelli.