icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
21/11/2014
07:02

Quando Rogério Ceni e Kaká jogaram juntos pela primeira vez, no início da década passada, dificilmente alguém imaginava que chegariam ao status que têm hoje. O goleiro virou um mito no São Paulo, ganhando tudo, enquanto o meia trilhou trajetória igualmente vencedora, sendo eleito o melhor jogador do mundo.

Eles se separaram em 2003, com a saída de Kaká para o Milan (ITA) e voltaram a ser companheiros de clube apenas este ano, mas a distância foi só física. Nunca deixaram de se comunicar e a relação que sempre teve ares paternos ganhou um tom de irreverência.

– Em nenhum momento é com falta de respeito, mas zoo (?) muito ele. O Rogério é um cara muito esclarecido, gosto de conversar com ele. É ranzinza demais, aí pego no pé dele, fico brincando (risos) – contou Kaká, em entrevista ao LANCE!Net.

Kaká consegue quebrar o mito de que Ceni não aceita brincadeiras. Recentemente, após levar uma ovada sem motivo aparente de Pato durante um treino, o meia tentou reunir aliados para aplicar o mesmo trote no capitão. Nenhum colega, porém, teve coragem de executar a brincadeira. Sinal de respeito e do quanto goleiro e meia são próximos.

Também pudera. Kaká relembra dos momentos mais felizes da carreira de Ceni para exemplificar o laço estreito. Ele sempre dava um jeito de se fazer presente, mesmo quando estava concentrado com o Milan.

– Em todas as vezes em que ele conquistou algo, a gente conversou. Eu ligava ou mandava mensagem. Lembro que na final do Mundial, contra o Liverpool, estava indo para um jogo no San Siro (estádio do Milan) e fiquei me comunicando com eles. O Rogério me contando da conquista. Quando foi campeão, mandei mensagem para quem eu conhecia. Participei de longe, mas muito feliz.

A relação que se estendeu do campo para a vida particular trouxe aprendizados. Quando perguntado quais seus maiores exemplos no futebol, Kaká cita Ceni, Cafú e o italiano Paolo Maldini, pela motivação inata para vencer.

– Ele (Ceni) me ajudou bastante, sempre me ajudou. Dava orientações, sempre falou, ajudou. Na hora de criticar, criticava. Sempre de forma produtiva – agradeceu Kaká.

No time atual, eles dividem a responsabilidade. Com 32 anos, o meia tirou boa parte dos conceitos de responsabilidade do arqueiro. E espera premiar a parceria com um título que nunca conquistaram. O Brasileiro e a Sul-Americana ainda são possíveis. É a última chance.

A partir de 2015, eles ainda devem continuar se cruzando, mas fora das quatro linhas. Kaká vai jogar no Orlando City, dos Estados Unidos, onde Ceni pretende passar um tempo após pendurar as chuteiras para estudar inglês.