icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci e Gabriel Carneiro
30/07/2014
08:02

Surpreende a muitos o fato de o Santos estar em sexto lugar no Brasileirão mesmo sem ter um grande craque no elenco. Surpreende ainda mais o fato de a defesa formada por David Braz e Bruno Uvini ser a melhor do torneio junto com o Corinthians, com seis gols tomados em 12 partidas. O bom momento do Santos, no entanto, não é surpresa para o grupo de jogadores.

– É tudo treinado. A gente é um time grande, entra para ganhar, mas em alguns momentos precisa deixar o adversário tocar a bola e se fechar atrás – afirmou, ao LANCE!Net, o atacante Thiago Ribeiro.

A visão do camisa 11 fica clara quando nota-se que a modesta Chapecoense teve mais posse de bola do que o Santos no último sábado, na Vila Belmiro. Na ocasião, o time da casa venceu por 3 a 0 e passou por poucos sustos pelo resultado.

Isso não significa que o Santos jogue defensivamente. Pelo contrário, trata-se uma das principais armas do esquema de Oswaldo de Oliveira. Se o adversário percebe que o Santos está com dez jogadores atrás da linha da bola, vai ao ataque. Mas basta perder uma bola para o Peixe usar a velocidade pelos lados e armar sua arapuca final.

- Jogando na Vila, sempre temos que jogar para vencer, contra qualquer um. Mas, vencendo, para ficar se desgastando? Tem o momento certo para apertar. Se pressiona na frente, muitas vezes o time deixa aquele buraco atrás e dá espaço entre as linhas. Com a bola, temos muita rapidez para contra-atacar - diz Thiago.

A função ofensiva dos laterais também é facilmente explicada pela observação: a ideia é abrir o campo de ação e restringir o espaço do adversário, dificultando a marcação. Isso exige que um dos volantes feche a defesa, quase como um zagueiro. Com isso, até os beques têm liberdade ofensiva, tanto que até já criaram jogadas, como o passe de Bruno Uvini que iniciou o segundo gol do Peixe contra a Chapecoense.

- O Oswaldo não gosta que saia jogando no chutão, e a gente vê muito disso, é muita ligação direta. Para evitar isso, o Alison recua, os laterais avançam e os laterais abrem. Fazendo isso deixamos o campo maior, o que dificulta para o adversário marcar. O rival quer que você jogue pertinho, até porque são pouquissímos os times conseguem fazer pressão coordenada. Desse jeito, o David e o Uvini podem sair jogado também.

Moderno e surpreendente, o Santos não entrou no Campeonato Brasileiro só para fazer figuração.

Mapa de calor do Footstats mostra o posicionamento de Alison: de zagueiro a ponta (Foto: Reprodução/Footstats)