icons.title signature.placeholder Marcio Porto
06/04/2014
08:02

Chegar ao novo clube por indicação do treinador é o cartão de visita que todo jogador deseja. Mas quando isso não acontece? O lugar ao sol certamente será mais difícil e a qualidade do atleta colocada em discussão, certo? Não para Hudson, que negocia sua transferência para o São Paulo.

O volante de 26 anos não acredita que o fato de sua contratação ter partido da diretoria, e não de Muricy Ramalho, possa atrapalhá-lo se vier a vestir a camisa do Tricolor. E usa o lema do possível novo chefe para justificar o pensamento.

– Acredito que não me atrapalha (não ter sido indicado). Mesmo se fosse uma indicação direta do Muricy, que com certeza observou alguns jogos meus, vou ter de trabalhar muito, e até mais do que meus companheiros para conseguir êxito – afirmou Hudson, em entrevista exclusiva ao LANCE!Net.

A negociação com o destaque do Botafogo-SP no Paulistão partiu e vem sendo conduzida pelo vice-presidente de futebol João Paulo de Jesus Lopes. Ele se reuniu na sexta-feira com o empresário do jogador e saiu confiando no acerto.

Já Muricy, quando perguntado sobre o volante, negou interesse e ironizou a imprensa. O treinador desde o começo do ano tem dito que não aceitará jogador “mais ou menos”. Um rótulo que Hudson não quer nem saber.

– Acredito no meu potencial. Tenho certeza de que vou dar meu melhor, e vou resolver assim. Depende muito de mim, de oportunidades, do time todo, para chegar onde o São Paulo deseja chegar.

Hudson começou a carreira no Santos e foi promovido ao profissional em 2007, por Vanderlei Luxemburgo. Também trabalhou com Emerson Leão e Cuca, dois técnicos de nome no mercado.

– Eles me deram uma experiência importante – afirma.

No entanto, o jogador não conseguiu se firmar no Peixe. Subiu antes do que Ganso, com quem jogou na base, mas deixou o clube primeiro e longe do status do companheiro. Se a negociação for finalizada, os dois vão se reencontrar.

– Foi muito pelo amadurecimento. A equipe também não estava bem. Talvez não tenha sido minha hora. Tinha de estar melhor psicologicamente – explica.

Será que essa hora chegou?

ENTREVISTA COM HUDSON

Como soube do interesse do São Paulo? Do que está sabendo?
Fiquei sabendo pelo meu empresário e fiquei muito feliz. É um dos maiores clubes do Brasil, talvez o melhor. Todo jogador gostaria de jogar no São Paulo, apesar de não ter nada certo ainda. Sei que já houve algumas conversas, mas a que ponto está, o que falta, não sei.

Você começou no Santos e depois rodou por clubes menores. Está pronto para um grande?
Isso a gente vai ver dentro do campo. Acredito que amadureci muito, passei por muita coisa. Tenho certeza de que estou pronto. Se tiver oportunidade, vou procurar fazer o meu melhor, porque jogar no São Paulo é a chance da minha vida.

Por que não deu certo no Santos?
Foi mais pelo meu amadurecimento. Às vezes, pela imaturidade, de achar que já está tudo bom, e não estava tudo bom. Tinha de buscar um pouco mais, houve um certo relaxamento. O time também precisava de bons resultados. Isso conta.

Como foi a experiência de atuar ao lado do Ganso na base? Já conversou com ele sobre o São Paulo?
Ainda não conversei com ele. A gente foi bicampeão paulista de juniores. Eu subi um pouco antes, depois ele subiu, teve chance, principalmente no time do Vagner Mancini teve mais chances e eu fui emprestado. Nosso time no sub-20 era muito forte. Tive um relacionamento muito bom com ele.

Como vê o time do São Paulo atual em relação ao Santos?
O São Paulo agora está muito mais pronto, e isso facilita muito. Os jogadores já se conhecem, estão acostumados a jogar juntos.

O que pode falar ao torcedor de seu estilo de jogo, suas características no meio de campo?
Na base do Santos, atuava como primeiro volante. Hoje sou mais segundo volante, característica de marcação. O volante tem de saber marcar, ter boa saída de bola, e com boa chegada ao ataque.

Com quem o São Paulo precisa fechar para contratá-lo?
Só comigo e com meu empresário. Meu contrato com o Botafogo vai vencer e estou livre.