icons.title signature.placeholder João Matheus Ferreira e Rodrigo Cerqueira
03/07/2014
08:10

Se por acaso alguém tivesse a ousadia de dizer, há uns três ou quatro anos, que a Bélgica estaria nas quartas de final da Copa do Mundo, ninguém levaria fé. Apenas os próprios belgas. Após viver um hiato no futebol entre 2002 e 2014, o país com pouco mais de 11 milhões de habitantes investiu forte na base e reapareceu com uma geração renovada e considerada a melhor da história belga.

Agora, os "meninos de ouro", como é chamada esta geração da Bélgica, já têm um novo objetivo no Mundial: eliminar a Argentina, sábado, em Brasília, e vingar a Copa de 1986, quando Maradona & Cia. venceram os belgas na semifinal e encerraram ali a melhor campanha dos europeus em Copas.

Antes mesmo da partida contra os argentinos, porém, estar entre os oito melhores já é motivo de comemoração. Sobretudo porque a estratégia do investimento na base nestes anos parece ter dado certo.

Logo após a eliminação na Copa 2002 – para o Brasil, nas oitavas de final – os belgas tinham uma equipe envelhecida e sem confiança. Tanto que ficaram fora dos Mundiais de 2006 e 2010 e das Euros de 2004, 2008 e 2012. E foi justamente há dois anos que o técnico e ex-jogador Marc Wilmots, que estava na eliminação para o Brasil, em 2002, assumiu o comando, deu chance aos garotos e pode fazer história.


De Bruyne fez o primeiro da Bélgica sobre os EUA (Foto: Pedro Ugarte/AFP)

- Sempre falavam muito da necessidade de investimento na base. Logo que comecei a jogar pela seleção belga, no sub-17, eles colocavam os garotos para jogar em clubes grandes da Europa. Quase 90% deste time atual cresceram em algum país vizinho - disse o brasileiro naturalizado belga Richard Danilo, que atuou ao lado de boa parte dos "meninos de ouro" na Bélgica.

GERAÇÃO EXPORTADA

Se as divisões de base da Bélgica trabalharam o suficiente para produzir os talentos que representam o país nesta Copa, o campeonato local não se desenvolveu o suficiente para manter os talentos. Dos 23 convocados, apenas três atuam no futebol belga: o goleiro Bossut, o zagueiro Ciman e o lateral-direito Vanden Borre, já cortado por fratura na perna esquerda. Até por isso, Richard Danilo não vê a presença dos Diabos Vermelhos nas quartas de final como uma surpresa.


Fellaini joga pelo gigante Manchester United (Foto: Martin Bureau/AFP)

- Não acho que foi surpresa, pois todo mundo deste time atual está jogando em clubes grandes da Europa. O resultado realmente veio bem rápido, mas foi na hora certa. Agora, esta galera que está jogando a Copa hoje ainda pode disputar mais uma ou duas, porque a maioria tem no máximo 22 anos - afirmou, citando, naturalmente os atletas do time titular.

COM A PALAVRA
Richard Danilo - Brasileiro naturalizado belga, atuou com vários atletas desta geração na seleção de base

Joguei do sub-17 até o sub-23 pela seleção belga e pude conviver com quase todos estes jogadores que estão nesta Copa. Mesmo sem ter chegado na semifinal, como em 1986, posso afirmar que esta geração já é considerada a melhor da história da Bélgica.

E acho que, além de estarem fazendo uma boa campanha, o fato de todos atuarem em grandes clubes da Europa ajuda bastante. É uma coisa que o país nunca teve e todos estão muito orgulhosos por estarem indo tão longe em uma Copa do Mundo.