icons.title signature.placeholder João Vitor Xavier
20/11/2013
09:03

Conhecido como "Maestro" entre os jornalistas uruguaios por já ter lecionado mais cedo em sua carreira, Óscar Washington Tabárez estende a palavra a outros significados. Ele é o condutor da orquestra uruguaia que busca mais uma classificação para a Copa do Mundo nesta quarta-feira diante da Jordânia em pleno Centenario de Montevidéu.

Atualmente adorado pela torcida celeste, Tabárez tem relação de amor e ódio com o torcedor desde que concordou em comandar o Uruguai pela segunda vez em 2006. Após uma campanha difícil no caminho para a Copa de 2010, ele caiu nas graças de vez com uma participação histórica - foi a primeira vez em 40 anos que a Celeste, bicampeã do mundo, chegou a uma semifinal de Mundial.

Ele seguiu em lua de mel com o uruguaio com a conquista da Copa América de 2011. Mas a relação voltou a esfriar com a campanha cambaleante nas Eliminatórias de 2014. Imagina ficar fora da Copa do Brasil, 64 anos após o "Maracanazzo"? Quem manteve Tabárez no cargo, explica a jornalista Adriana Laca, do jornal Últimas Notícias (URU), foram os próprios jogadores:

- Tabárez só sai quando quiser. Isso porque ele conquistou o mais importante: o coração dos jogadores. Aquele que entra em campo e dá o sangue para a camisa celeste. A torcida tem um comportamento dependente dos resultados e ele também tem muita paciência, entende que isso faz parte do jogo e não se estressa. É uma presença calma e necessária para a paixão dos jogadores uruguaios.

DIRIGENTE? NÃO, SOU TREINADOR

Nos últimos meses, especulou-se que Tabárez poderia sair do comando técnico da seleção para ajudar a reorganizar o futebol uruguaio como dirigente da federação. Na coletiva pré-jogo, ele negou que tenha interesse e disse que pretende treinar, seja no Uruguai ou em outro lugar.

 - Sou treinador de futebol. É claro que precisamos reorganizar o jeito como o desenvolvimento do nosso futebol é pensado. Mas nunca iria deixar um cargo de técnico para tomar um cargo que nem existe. Não depende de mim a reorganização. Sou treinador e, se nos classificarmos, pensarei no Mundial. Depois, vou seguir treinando seja à frente da seleção ou em outro lugar.

No último Mundial, Tabárez foi recebido como herói e, após uma crise no "casamento" com a torcida, voltou a ser idolatrado. Espera-se que, em caso de classificação, o retorno da Copa de 2014 seja um pouco mais melancólico para o uruguaio.