icons.title signature.placeholder Eduardo Moura
01/04/2014
08:00

Entra jogo, sai jogo, e um nome vem se destacando no Grêmio. Seja Gauchão ou Libertadores, o jovem Luan, 21 anos completos na última quinta-feira, tem sido o grande diferencial do clube. Na semifinal do Gaúcho, decidiu, embora não tenha brilhado no Gre-Nal. Paulista, o tímido garoto que cresceu com a mãe fazendo o papel também de pai hoje ostenta multa rescisória de R$ 188 milhões (60 milhões de euros) e tem em 2014 o seu ano. Ainda que não tivesse esperança de que tudo acontecesse tão rápido. Surpresa pela chegada a um clube grande. Atrevimento sem tamanho em campo, com repertório de dribles improvisados. E uma timidez de garoto que parece ainda não acreditar no que vive.

Luan começou a receber chances no time sub-20 que iniciou o Gauchão. Já ali passou a ser observado com mais afinco por torcida e imprensa. Dentro do clube, já era nome recorrente na boca de dirigentes e funcionários da base. Chegou ao Grêmio no início de 2013. Passou seis meses apenas treinando, para estrear em agosto. A ascensão é meteórica. Recebeu o LANCE!Net Na sala de conferências do Olímpico. A timidez é evidente. O tom de voz, baixo. As mãos procuravam algo para se ocupar – encontraram as meias e não paravam de ajeitá-las.

Entre Gauchão e Libertadores, Luan contabiliza quatro gols em 18 partidas. Além das assistências e participações em gols gremistas. Tudo veio rápido para o jovem, que reconhece que tinha a esperança de ter em 2014 como seu ano. Nesta quarta-feira, enfrenta o Atlético Nacional (COL), rival que sofreu seu primeiro gol quando entre o elenco principal.

- Esperava (ser o seu ano). Esperava ter a oportunidade e agarrar com as duas mãos. Estou fazendo bons jogos e aproveitando as chances. Perdi meu pai estava com quatro anos, bem novo. Meio que não tinha noção. Minha mãe é mãe e pai para mim e me ajudou – disse Luan ao LANCE!Net.

O jovem se profissionalizou no Tanabi, em 2012. Passou ao futebol de campo apenas com 18 anos, quando deixou o futsal em São José do Rio Preto, sua terra natal. Depois, rodou por América de sua cidade e Catanduvense. Se destacou na Copa São Paulo e foi buscado pelo Grêmio. No clube gaúcho, passou pelo projeto Lapidar, para aperfeiçoar os fundamentos. Ganhou 3,5kg de massa muscular até ser utilizado na base.

- Não tinha muita esperança, para mim, de tão rápido estar em um grande clube. Jogar Libertadores era uma sonho para mim. Fico bastante feliz de estar acontecendo tudo rápido na minha vida. Os próprios amigos me apoiaram bastante, e minha mãe que estava comigo sempre – explicou, falando sobre o início da carreira.

Luan teve bom primeiro tempo, mas caiu com o time no Gre-Nal (Foto: Ricardo Rímoli/LANCE!Press)

DRIBLES À LA RIQUELME NO REPERTÓRIO

Do futsal, Luan herdou o atrevimento. Dribla mesmo, sem medo de pancadas ou cara feio dos marcadores. No Gauchão, reeditou Riquelme e deu um “rolinho” de costas em um marcador. O próprio afirmou que já viu o lance do camisa 10 argentino. Atualmente jogando livre para criar, mais centralizado, Luan começou como centroavante na base. Foi recuado para a linha de três no 4-2-3-1, pelo meio. Depois, atuou também pelos lados. Ou seja, joga nas quatro funções ofensivas.

- Os dribles saem do momento. Tinha a possibilidade na hora. Esse drible do Riquelme eu vi também na internet. É do momento, no salão é muito rápido, o drible no espaço curto. E dependendo do momento a gente tenta aumentar o repertório. (risos) Me adaptei bem ao campo. Quando saí a diferença era em relação aos espaços. Era diferente. Mas em dois ou três meses eu me adaptei – revelou o garoto prodígio gremista.

O Tricolor, claro, se protegeu ao contratá-lo. Tem 80% dos direitos econômicos de Luan – trocou 10% no início do ano com o investidor que detinha 30% de Alex Telles, o que rendeu R$ 6 milhões ao cofre do clube por conta da venda para o Galatasaray (TUR). A multa rescisória do jovem é de, segundo a cotação do dia, R$ 188 milhões. Nada que impressione o tímido jovem.

- Deixo para que a direção resolver essas coisas. Eu só procuro jogar bola mesmo – disse, riso no rosto. Bola no corpo, ele tem.