icons.title signature.placeholder Aurino Leite e Guto Mariano
08/03/2014
15:34

Caroline Cerqueira e a irmã Isabelle Guimarães (à esq.) e Rafaela Fernandes (à dir.)

O primeiro que proferiu a frase: "futebol é pra homem," certamente não imaginou que o esporte - que nos primórdios de sua existência era praticado e assistido somente por homens - se tornaria paixão também entre as mulheres. Neste sábado, 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da mulher, e o LANCE! homenageará você, torcedora cruz-maltina.

O Vasco sempre foi um clube engajado na luta pelas pelas minorias, como no caso do combate ao racismo. E com as mulheres não é diferente. Em meados da década de 20, a mulher ainda era vista como subalterna e o clube abriu espaço para que elas pudessem montar uma equipe de futebol feminino.

Entre tantas torcedoras vascaínas espalhadas pelo Brasil, estão as irmãs Carolina Cerqueira e Isabelle Guimarães. Com família de origem portuguesa, as duas declaram verdadeiro amor ao Cruz-Maltino. De acordo com Carolina, a paixão pelo Vasco transborda em seu coração.

- Na despedida do Edmundo, saí do trabalho mais cedo, embaixo de uma chuva forte, pra ir de ônibus de Niterói para São Januário com minha irmã.  Não sabíamos nem como chegar, mas encontramos outros vascaínos no ponto e fomos juntos. Pegamos muito trânsito. Quando chegamos o jogo já tinha começado e a torcida estava lá, linda! Entrei com coração na boca, emocionada com o som daquelas vozes vibrando e cantando o hino do meu time. Meus olhos marejaram e me uni ao coro. Eu e minha irmã estávamos encantadas, meu time é lindo , o amor que tenho por ele supera qualquer derrota - exaltou, a torcedora vascaína.

Geovanna Teixeira, 18 anos, residente no estado da Paraíba, é mais um exemplo da paixão feminina pelo clube. Geovanna diz que o amor pelo Cruz-Maltino contribuí muito para a proximidade com o pai.


- A minha relação com meu pai nunca foi das melhores, mas quando estamos juntos assistindo o jogo do Vascão tudo muda, existe uma conexão entre nós que é um misto de amor familiar e a euforia que só o Gigante nos proporciona - contou a torcedora, que ainda criou um site feito somente por mulheres para falar sobre o Vasco:

- O conjunto: Mulher falando de futebol, Vasco e a vontade de escrever, surgiu o "Vascalindas". Pensei em algo focado no conteúdo e não em mostrar o corpo, para enfatizar que mulher pode sim falar com propriedade sobre um assunto tipicamente masculino. Há quase 2 anos percebo que as vascaínas já se chamam de “Vascalindas” e se sentem mais abertas para comentar sobre as notícias do Vasco, isso é mágico!

Rafaela Fernandes, 17 anos, conta que o amor para com o Vasco vem desde muito pequena. Desde cedo ela já sentia as emoções que se têm ao frequentar São Januário.

- Minha paixão pelo Vasco surgiu há 17 anos. Aos 2 anos de idade meu pai já me levava aos jogos e a paixão só aumentou. Cresci perto do Vasco e hoje posso dizer que é o meu primeiro amigo. O tempo passa, mas aquele arrepio quando o time entra em campo e a torcida começa a cantar nunca vão passar. Tenho orgulho de dizer que o meu Clube lutou contra o racismo e hoje tem a sua história reconhecida mundialmente. São Januário? Ah... É o meu caldeirão!

E no jogo deste sábado, uma vitória do time sobre o Bonsucesso, justamente em São Januário, garantindo a classificação para a semifinal do Campeonato Carioca, seria o melhor presente neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Com a palavra das vascaínas:

"Não importa o dia, não importa o adversário, a torcida sempre vai fazer o caldeirão ferver. Aquele nervosismo quando algum jogador erra um passe importantíssimo ou então quando o jogador erra um gol que era inacreditável, nunca vai deixar de existir. Pois isso faz parte da minha paixão pelo Vasco. Assim como as lágrimas de felicidade caem quando é gol do meu Gigante!" Rafaela Fernandes.

"Quando fui crescendo, aprendendo mais sobre futebol, deixei de apenas assistir e passei a comentar. Sempre quis ser jornalista, trabalhar com palavras, e o futebol é a menina dos meus olhos. A distância entre a Paraíba e o Rio de Janeiro nunca atrapalhou o amor que sinto pelo Vasco, ao contrário, fomentou ainda mais a chama do Vasco dentro de mim, até que apareceu a oportunidade de criar um site feito por mulheres sobre o time que eu amo." Geovanna Teixeira, fundadora da torcida Vascalindas.

"Não me recordo de quando criança ter pensado em outro time que não fosse o Vasco. Meu pai é Vascaíno de corpo e alma, aliás, parte da minha família é, pois somos de origem portuguesa. Nasci Vasco! Tenho certeza absoluta de que não teria outro time. Minha mãe é flamenguista e nunca conseguiu me converter, mas também nunca impôs, pois sempre soube que meu coração é vascaíno." Carolina Cerqueira, sobre o amor incondicional ao Cruz-Maltino.