icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro e Russel Dias
10/04/2014
08:03

Além do Ituano, time que mostrou sua força e conseguiu uma vitória inesperada por 1 a 0 no último domingo, o Santos tem outro adversário para superar no segundo jogo das finais do Paulistão: a pressão sobre os garotos que fizeram o Peixe chegar à decisão, mas sentiram o peso da missão.

– Ninguém está imune a isso, e os garotos sentem mais porque ainda estão adquirindo experiência. Assim como têm que amadurecer na parte técnica, também é assim do lado psicológico – diz Juliane Fechio, psicóloga do Peixe, ao LANCE!Net.

Logo após a derrota na primeira partida, o técnico Oswaldo de Oliveira admitiu que a responsabilidade de disputar um título com a camisa do Santos pode ter assustado os mais jovens, que passaram a semana blindados de entrevistas, mas ainda assim tiveram rendimento bem abaixo do esperado contra o Ituano. É nessa hora que o trabalho psicológico ganha força para que os Meninos da Vila, como Gabriel e Geuvânio, vençam o primeiro desafio emocional.

– O stress mexe com funções vitais, e atrapalha muito no futebol, mexe com o coração, a visão de jogo se prejudica, você fica mais cansado. Um passe que normalmente se acerta, acaba saindo errado – reconhece Juliane, que trabalha no Santos desde 2011 e chegou a consultar Gabriel quando ele ainda estava no sub-15.

No Santos, o serviço de psicologia é oferecido a todos os jogadores, especialmente os que se tratam de lesão, e desde a base. Alguns gostam de conversar com Juliane, mas outros não sentem necessidade. Em situações específicas, a interferência é maior, como ocorreu após a goleada por 8 a 0 para o Barcelona e na morte do irmão do lateral Galhardo, hoje no Bahia. Ou então para mais uma decisão de Campeonato Paulista.

– Apesar de terem perdido, estão confiantes. O fato de sentirem (a pressão) no primeiro jogo dá uma coisa a mais agora – diz a psicóloga, ajudante de Oswaldo nesta missão.

BATE-BOLA com Juliane Fechio
Psicóloga do Santos, ao LANCE!Net

Como funciona o seu trabalho com os jogadores do Santos?
Eu observo os jogos e treinos, fico junto com eles e, em cima de algumas observações, os chamo. Fora isso, estou aberta às demandas da comissão técnica e do Zinho. Se eles notam alguém mal, chamam.

A interferência só acontece nos momentos ruins ou bons também?
A psicologia é preventiva, começa na base e termina aqui. Na pré-temporada faço testes, converso com eles e moldo meu trabalho para o ano. Isso fora o imprevisível, que acontece durante os campeonatos.

Como a questão do Galhardo interferiu no ano passado?
Foi um acontecimento que mexeu com todo mundo, o Muricy, os colegas... Temos técnicas para lidar com o luto e demos uma volta por cima.

Pode ocorrer o mesmo por causa do falecimento do pai do Mena?
Ainda é recente, mas os jogadores, que são amigos, ficam sensíveis. É um momento muito complicado.

Você atua mais na reta final?
Os jogadores procuram um pouco mais, mas o trabalho é o mesmo. Final envolve pressão psicológica, e o atleta precisa estar pronto. Esse será o nosso diferencial na final.

Hoje, como está o grupo?
Está tudo sob controle, eles estão confiantes, todos batalharam muito pra estar aqui. Ganhar esse título é uma recompensa que eles têm, um estimulo. Eles acreditam nesse título, que não vai ser fácil, mas sinto que já sabem lidar com pressão.