icons.title signature.placeholder Olé, da Argentina
09/07/2014
15:07

Site do Olé lamenta morte de jornalista (FOTO: Reprodução)

Jorge López, falecido na noite da última terça em acidente automobilístico em São Paulo, foi o primeiro a entrevistar Lionel Messi. Foi em 2003. O jornalista viveu em Barcelona de 2000 a 2005. Naqueles anos, Messi começava a dar seus primeiros passos no futebol e El Topo (apelido de Jorge) falou com ele na cidade da Catalunha. No material publicado em uma sexta-feira, 17 de outubro de 2003, intitulada "El otro Pibito" (O outro garotinho), contava que o argentino já era comparavam a Diego Maradona (cujo apelido era Pibe de Oro - Garoto de ouro) e tinha acabado de firmar contrato com o Barça. Antecipou tudo o que Messi acabou sendo. Tudo o que ele é...

O outro Garotinho (Pibito)

O rosarino tem 16 anos e é a pequena joia da cantera do Barcelona. Messi admira Saviola, mas já o comparam com Diego. Canhoto, habilidoso, joga com a 10...

"Faz coisas de Maradona..."

A frase sai da boca de Guillermo Hoyos, o canhoto que viajou com Diego ao Japão em 79, mas ficou fora da lista e até pouco tempo era técnico das categorias inferiores do Barça. 

"O contratei em meio minuto e o primeiro contrato o firmei, simbolicamente, em uma espécie de guardanapo. É algo diferente"

O relato é de Carles Rexach, ex-técnico do Barça. Ele que o testou. 

A história começou em setembro de 2000, quando um garotinho de 13 anos e 1,40 metro de estatura se apresentou em uma prova de jovens atletas no Barcelona. O postulante era Lionel Messi, um rosarino criado no Newell's e que não teve espaço no River... Ali se apaixonou. A estreia oficial do menino foi apenas uns dias depois de ser contratado. Foi bem: fez cinco gols... Agora, com o selo maradoniano e 16 anos recém-completos, o meia ofensivo - que obviamente usa a 10 - tem seduzido todo o Barcelona e é considerado o melhor jogador da cantera. 

Lionel chegou à Espanha pelas mãos de seu pai. Ex-responsável de produção da metalúrgica Acindar, Jorge Messi entendeu que os vaivéns econômicos e a insegurança por que passava na Argentina eram suficientes motivos para buscar um melhor futuro para sua mulher Celia e seus filhos Matías, Rodrigo, Marisol e Lionel Andrés, o pequeno gênio da bola. No entanto, antes de subir no avião, seu filho menor esteve a ponto de trocar o Newell's pelo River para seguir os passos de Pablo Aimar, seu ídolo. Porém, foi detectado um problema hormonal em Lionel e o tratamento custaria quase 900 dólares mensais. O clube de Rosário nunca conseguiu dar conta desses gastos e em Nuñez houve muitas reviravoltas... Resultado, os Messi contataram seus familiares em Lleida, uma localidade próxima a Barcelona e acertaram seu traslado para a Europa. 

No Barça, segundo contam, já o conheciam porque havia um olheiro atrás de seus passos. E como o clube aceitou bancar seu tratamento, Leo ficou. Mas o caminho, como em toda trama, teve momentos tensos. Como quando a equipe de Saviola pediu seus documentos por meio da federação e o Newell's não os enviou. A partir de então, a Fifa teve que mediar a situação, que em pouco tempo se regularizou. Na temporada passada fez 37 gols em 30 partidas. Ma sua categoria chamam a equipe de Dream Team. E ele, além de sair campeão, foi o goleador do torneio e eleito o melhor jogador da divisão. É provável que nos próximos meses o promovam à Juvenil A, onde jogam os garotos de 18 anos. O garoto é craque!

- Pergunta clássica para toda apresentação de um jogador: Como você se definiria? 

- Ah, não sei... me mexo rápido, tenho habilidade... Sou canhoto, mas às vezes chuto de direita. 

- O que te acrescentou o futebol europeu? 

- Aprendi a pegar melhor na bola, a protegê-la mais, tocar de primeira. Todos os técnicos me diziam para jogar de primeria, assim faço o futebol ficar mais rápido. Mas o jogador que nasce na Argentina desequlibra e faz a diferença com o drible. E tem mais malícia, isso se percebe... O campo te acostumará a jogar com garotos maiores. 

Lionel confessa que custou a adaptar-se ao novo mundo. Os primeiros seis meses foram duríssimos, chorou muito quando teve que se distanciar dos seus amigos, de muitos familiares. Seu consolo chegava em forma de ilusão. Ainda que pese a dor, sabia que era o melhor para ele. De fato, como o Barcelona exige estudar, Messi vai ao Colégio Leão XIII com outros garotos de La Masía. Em seu tempo livre, quando não tem a bola nem os livros, conversa com seus amigos argentinos e escuta música. 

Sua conexão com a Argentina são os argentinos que estão ou estiveram no clube. "Saviola me presenteou uma camisa. Me parece uma pessoa excepcional. E como jogador eu o admiro. Me impressiona como joga sendo pequenino.... Como Bonano fomos tomar sorvete e falamos por várias horas. E com Riquelme fomos comer... Me surpreendeu sua saída, ele podia triunfar aqui". 

- O que te surpreendeu no Barcelona? 

- Eu sabia que era um clube muito grande, era torcedor desde a época de Ronaldo, mas não tanto... Com Newell's íamos aos torneios e dormíamos em casas de família. Aqui te mandam a hoteis três estrelas e com toda a cobertura necessária. 

- Você acompanha o futebol argentino? 

- Bastante. Às vezes passam partidas na televisão e vejo tudo. Vi muito o Cavenaghi e pouco o Tevez. Eu gostava muito do D'Alessandro, ainda que já tenha saído. 

- É verdade que te sondaram para jogar na seleção espanhola? 

- Há pouco tempos estávamos na decisão de um torneio, e eu não podia jogar porque era somente para espanhóis. Um técnico (Ginés Menéndez, do Sub 16) me perguntou se eu gostaria de jogar pela Espanha. Me deixou contente, mas respondi que prefiro um chamado do meu país. 

Há dois dias, Messi firmou com o Barcelona seu primeiro contrato, válido até 2012. E nele acrescentaram uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros si o comprarem agora, 80 quando subir de categoria e 150 milhões quando jogar a Primeira Divisão. Como se fosse um Diego.