icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
01/02/2015
07:30

Neste domingo, 1º de fevereiro de 2015, completa um ano da invasão de cerca de 100 torcedores do Corinthians ao CT Joaquim Grava, quando jogadores foram acuados e ameaçados, carros quebrados e instalações do próprio CT, danificadas. Desde 15 de abril do ano passado, o Ministério Público de São Paulo aguarda julgamento do recurso contra os invasores identificados e presos a partir da "Operação Hooligans", que saiu às ruas no dia 20 de fevereiro de 2014 para punir os culpados. Ainda não há data definida para a decisão (arquivamento do processo ou prosseguimento à denúncia), que pode sair até um ano após a solicitação - ou seja, abril deste ano.

Somente em 19 de janeiro deste ano, a Justiça extinguiu a punibilidade de Fernando Wilson de Carvalho, vulgo "Suíça", integrante da Gaviões da Fiel, que acabou morto a tiros em Santo André (SP), no dia 20 de julho do ano passado. O MP ainda tenta manter a denúncia contra Tarcísio Baselli Diniz, Gabriel Monteiro de Campos e Tiago Aurelio dos Santos Ferreira.

Os três torcedores, que haviam sido presos preventivamente, foram soltos no dia 17 de março depois da decisão do juiz Gilberto Azevedo Morais Costa, da 17ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, que rejeitou a denúncia feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Em seu polêmico despacho, o juiz escreveu que "em suma, tudo não passou de um ato (nada abonador) de revolta dos torcedores. Fiéis que são – e disso a própria equipe se vangloria –, queriam apenas chamar a atenção: fazer com que os jogadores honrassem os salários que ganham; mostrando um futebol verdadeiramente brasileiro".

No dia 15 de abril de 2014, o Promotor de Justiça José Roberto Fumach Júnior entrou com um recurso reiterando a denúncia nos seguintes artigos do Código Penal: 288 (formação de quadrilha), 146 (constrangimento ilegal) e 163 (crime de dano). O texto da promotoria do MP dizia que a conduta da torcida “provoca um acentuado impacto na sociedade, trazendo insegurança e instabilidade geral, além de desconfiança da população na gestão do futebol no Brasil”.

Em agosto do ano passado, como mostrou o LANCE!Net, o Corinthians trocou o sistema de câmeras de segurança do CT, que causaram discórdia durante as investigações do caso. Na ocasião, apenas três das 32 câmeras instaladas pela empresa Smart System funcionaram na hora da invasão. Em depoimento à polícia na época, um técnico da Smart System afirmou que os aparelhos "pararam de funcionar por queda de energia, por desligamento inadequado ou por falta de energia elétrica no momento".

O CASO DA INVASÃO

Terror no CT

No dia 1º de fevereiro, um sábado, quando o elenco treinaria pela manhã, mais de cem torcedores invadiram o CT Joaquim Grava, ameaçaram jogadores, agrediram funcionários, furtaram três celulares, danificaram carros e o próprio CT. O presidente Mário Gobbi Filho afirmou que o atacante peruano Paolo Guerrero chegou a ser "esganado", fato desmentido pelo próprio.

Depois do episódio, a segurança do CT foi reforçada e alguns carros da Polícia Militar fizeram a ronda do local no dia a dia de treinamentos do Corinthians. Alguns funcionários prestaram depoimentos. Os jogadores, convocados, não quiseram depor e a polícia alegou "falta de comprometimento com as investigações".

O ato de revolta dos corintianos ocorreu três dias depois de o Corinthians levar 5 a 1 do Santos na Vila. Os jogadores não queriam entrar em campo no dia seguinte, diante da Ponte Preta, mas depois foram demovidos da ideia. O Timão perdeu aquele jogo por 2 a 1 em Campinas.

Operação Hooligans

No dia 20 de fevereiro, a polícia iniciou a “Operação Hooligans” para investigar a invasão no CT. Quadras das torcidas organizadas foram alvo da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Cinco mandados de prisão foram expedidos pela Justiça, mas um acabou revogado porque o torcedor comprovou que estava no trabalho. Outro torcedor acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma durante a operação.