icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro e Russel Dias
26/07/2014
08:01

Neste sábado, Mário Lúcio Duarte Costa fará o mesmo percurso de toda semana para trabalhar. Ouvindo as mesmas letras de protesto do Racionais MC’s nos fones de ouvido e com os mesmos colegas ao lado. Só uma coisa será diferente: o número atrás da camisa. Ao invés do tradicional 1, estará o 100.

Depois de três anos no Santos (boa parte dele buscando espaço), o goleiro Aranha baterá neste sábado a marca de 100 jogos com a camisa alvinegra, apenas o 15º da posição a atingir essa marca. O adversário do novo candidato a ídolo é a Chapecoense, às 18h30, na Vila Belmiro.

– Uma palavra serve para ferir. Mas quando você vê o torcedor se manifestando a favor, te dá mais confiança. E isso tem acontecido há um bom tempo. Desses 100 jogos não lembro de reação contrária, então espero poder chegar mais adiante. E com títulos – disse Aranha, que recebeu a reportagem do LANCE!Net em sua casa.

Não é a primeira vez que o goleiro atinge tal feito. Pela Ponte Preta, onde já é ídolo, ele também superou 100 jogos. Curiosamente, foi lá que ele quase perdeu o apelido dado ainda na infância pelo treinador Hailton Custódio, na cidade mineira de Pouso Alegre. Custódio achava que um jogador tinha de ser facilmente identificado. Marinho, como ele era chamado, não o levaria a lugar nenhum. Mário Costa muito menos!

– Quando ele me conseguiu um teste falou que seria Aranha, depois falou da história do Lev Yashin (apelidado de Aranha Negra). Infelizmente ele faleceu quando cheguei à Ponte Preta – lamenta o goleiro.

Aranha chegou ao Santos para ser uma sombra do jovem Rafael, mas sabia que sonhar “sempre é preciso”, como dizem os Racionais.

– O rap influenciou na minha personalidade. Eu tinha motivos para lamentar a vida, mas cheguei aqui. Já pensei em sair do Santos, mas confiei. E agora faço 100 jogos.

“Corrida hoje, vitória amanhã” já diziam os poetas que o inspiraram.

Goleiro já começou a temporada de 2014 como titular (Foto: Eduardo Viana/LANCE!Press)

BATE-BOLA
ARANHA, goleiro do Santos, ao LANCE!

Por que resolveu deixar sua cidade natal em Minas Gerais?
Eu joguei no Pouso Alegre por muito tempo e treinava na escolinha do Hailton Custódio, ele que conseguia os testes para todo mundo por lá. Eu fui para um teste da Barbarense e não passei porque tinha dois goleiros lá já, mas eu fui indicado para um empresário, que falou com a minha mãe e me trouxe para o América de Rio Preto, para depois ser profissional.

Acha que demorou para ser titular no Santos, em dois anos?
Eu sabia que tinha condições de ser titular, tanto que tive outras propostas, mas o Santos ia para a Libertadores, e já havia conversas que o Rafael seria vendido depois. Então eu decidi investir. As coisas não aconteceram no tempo que eu imaginava, mas não posso reclamar porque foram dois anos na reserva de um time como o Santos, que tem uma grande história. Pensei, sim, em sair, mas eu tive o pé no chão, preferi permanecer, acreditei que as coisas iam dar certo.

Agora, como é sua relação com os outros goleiros do elenco?
As oportunidades vieram mais tarde para mim, e não quero que façam comigo o que eu não faço para os outros. Eu sempre digo que eu sou um cara trabalhador, e se me colocarem na reserva eu vou ser o mesmo cara.

Dizem que você é engraçado fora do campo. É verdade isso?
Quando eu treino ou jogo eu sou concentrado. Mas quando acaba é outra coisa. Se você dá muita liberdade não funciona, zagueiro e goleiro têm que se falar e ter seriedade. Fora faço piada, levo videogame para o hotel, essas coisas.

Já pensa em se aposentar?
Se eu estiver jogando bem, em um time legal, não vou ter pressa. Mas se ficar me arrastando, aí não. É noção.