icons.title signature.placeholder Guilherme Borini
20/06/2014
18:54

A escolha da seleção de Portugal por Campinas como sub-sede durante a Copa do Mundo tem causado polêmica na imprensa lusitana. A goleada sofrida para a Alemanha, por 4 a 0, na estreia do Mundial aumentou ainda mais o questionamento à decisão da Federação Portuguesa de Futebol. A equipe tem treinado no “fresquinho” da cidade do interior de São Paulo, que tem condições climáticas totalmente diferentes - menos quente e úmida - das três sedes dos jogos de Portugal na primeira fase: Salvador, Manaus e Brasília.

Para o jornalista português Octavio Lopes, do jornal “Correio da Manhã”, de Lisboa, a diferença da preparação física entre as equipes no jogo contra a Alemanha, em Salvador, foi evidente. Os alemães realizam a preparação em Santa Cruz Cabrália, no litoral da Bahia, e treinaram diversas vezes no horário do jogo, às 13h.

- Como que a Federação, sabendo as três cidades da primeira fase e tendo a possibilidade de escolher entre Salvador e Campinas, toma essa decisão? Bastava pegar as estatísticas das médias de temperatura. Tem uma diferença de dez graus - indagou o repórter, que vem acompanhando diariamente a seleção portuguesa no interior paulista.

Em uma reportagem veiculada na última quarta-feira, o jornalista ouviu um médico português a respeito do assunto.

- A seleção (portuguesa) treinou num clima menos quente e com menos umidade do que em Salvador, e isso notava-se nitidamente na cara dos jogadores. Cristiano Ronaldo, o mais focado pelas câmeras, tinha os olhos “encovados”, o que é um sinal de desidratação - disse o médico Domingos Gomes, ao “Correio da Manhã”.

De acordo com um guia de imprensa distribuído pela própria Federação Portuguesa, Campinas tem um “clima tropical de altitude”, com temperatura média de 18,5 ºC no período da Copa. Já Salvador, local do jogo contra os alemães, por exemplo, tem o clima “tropical úmido”, com média de 21 a 26 ºC. O próximo desafio é o “clima equatorial” de Manaus, com a umidade do ar sempre acima dos 80% e temperaturas entre 22 e 35 ºC.

- A Federação diz que a escolha foi por questões logísticas e que tem ótimas condições em Campinas. Concordo, as instalações são boas, mas a diferença climática é muito grande. Claro que há outros bons hotéis no Brasil. Se Portugal for eliminado na primeira fase, isso vai ser falado nos próximos anos - completou Lopes.

Sempre questionados a respeito das diferenças climáticas, os jogadores de Portugal procuraram se afastar da polêmica. Foi o caso do goleiro Beto, que prefere não usar o calor como desculpa após a má atuação diante da Alemanha. 

A delegação portuguesa chegou a Campinas em 11 de junho, apenas cinco dias antes da estreia na Copa, após um período de preparação de nove dias em Portugal e outros nove em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A seleção tem treinado no CT da Ponte Preta sempre por volta das 10h, em um horário com a temperatura fresca, com os termômetros na casa dos 20 ºC.

A seleção de Portugal enfrenta os Estados Unidos, neste domingo, às 19h, na Arena Amazônia, e precisa de uma vitória para manter as chances de classificação às oitavas de final.