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13/04/2014
14:28

Filho de imigrantes portugueses no Rio de Janeiro geralmente é vascaíno. É o que acontece com o comerciante Carlos Alexandre Vilela dos Santos. Só que no caso dele, a paixão virou loucura ao ponto de reprovar na faculdade para ver o Vasco jogar. De tanto ir aos jogos, ele já virou personalidade cruz-maltina: é conhecido como Homem Piruca.

- É uma paixão avassaladora - definiu.

A reprovação aconteceu no dia 18 de janeiro de 2001, quando Vasco e São Caetano fizeram a segunda final da conturbada Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro daquele ano). O Homem Piruca, que fazia faculdade de Economia, em Niterói, ficou de exame numa matéria e a prova de recuperação foi marcada para a mesma data do jogo, uma quinta-feira à tarde.

- Entre ver o Vascão ser campeão brasileiro e reprovar na faculdade, preferi ir ao estádio – declarou, sem arrependimentos, já que posteriormente abandonou a faculdade e se encontrou profissionalmente assumindo os negócios da família.

Outra loucura, um pouco menor (dependendo do ponto de vista), foi deixar a mulher sozinha no aniversário dela para acompanhar o Vasco na Argentina. O jogo contra o Lanús valia a classificação para as oitavas de final da Libertadores de 2012.

- O problema foi amenizado porque eu trouxe a classificação na bagagem – disse, explicando que a esposa também é vascaína e que só não viajou por medo da torcida adversária.

MENSAGEIRO TECNOLÓGICO

Carlos deixou de ser ele mesmo no estádio em 2010 quando comprou uma peruca, recém-licenciada pelo clube em homenagem a Carlos Alberto, para dar ao filho.

- Eu queria ter liberdade para torcer e gesticular, então coloquei a peruca. Como sempre sento perto das câmeras, me filmaram comemorando um gol. Quando cheguei em casa, vi que o Orkut estava bombando de comentários e resolvi usar a peruca sempre. Como as pessoas falavam da peruca, com "i", ficou Homem Piruca.

Impulsionado pela repercussão da TV e a chance de novas aparições, o Homem Piruca passou a levar cartazes com mensagens de apoio ao time. Como a cartolina e canetinha ficaram inviáveis, ele começou a escrever as mensagens no telefone celular e agora usa o tablet, que tem tela maior. Virou marca registrada.

- Se colocarem uma tomada no lugar onde fico, vou levar uma TV de 42 polegadas - brincou, explicando que a tecnologia oferece mais factualidade às mensagens.

- No tablet posso escrever alguma coisa relacionada ao jogo e posso mudar sempre que quiser. Geralmente escrevo mensagens de apoio ao Vasco, uma provocação bem-humorada ao adversário e até protesto quando é necessário.