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07/04/2014
20:40

Os trabalhadores do Parque Olímpico decidiram deflagrar uma greve, após tentativas infrutíferas de obterem benefícios junto ao Consórcio Rio Mais, responsável pelas obras do complexo. Na manhã desta segunda-feira, tiros chegaram a ser disparados, durante uma manifestação na Avenida Abelardo Bueno, que passa em frente ao local das obras.

– As obras estão em atraso e o consórcio não quer dar um incentivo ao trabalhador, que está comprometido com o projeto – disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Rio de Janeiro (Sintraconst), Carlos Antonio Souza.

Parados desde a quinta-feira, os operários do Parque Olímpico fizeram várias reinvindicações, como plano de saúde extensivo a dependentes, pagamento de R$ 300 de tíquete-assiduidade, programa de produtividade, folga de campo a cada 90 dias com passagem paga pela empresa para trabalhadores alojados no canteiro de obras.

Além dos pedidos de benefícios ao consórcio Rio Mais, parte dos trabalhadores deseja que o Sintraconst seja substituído nas negociações pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da Construção Pesada (Sitraicp). Essa divisão provocou tumulto e alguns tiros foram disparados durante uma manifestação em frente ao futuro Parque Olímpico Rio-2016.

– Não vou, lá, até ser chamado. Mas entendo que as obras do parque são da construção pesada. E os trabalhadores querem a nossa representação – afirmou o presidente da Sitraicp, Nilson Costa.

Por nota, o Consórcio Rio Mais repudiou e informou que investiga os atos de vandalismo ocorridos no canteiro de obras. Ainda escreveu que manterá a postura de diálogo permanente e transparente com todos os trabalhadores.

Uma nova rodada de negociações está prevista para terça-feira.

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Bate-Bola

Carlos Antonio Souza
Presidente do Sintraconst-Rio

Por que as negociações não chegaram a um acordo?
Faltou sensibilidade ao consórcio. Eles poderiam ter cedido.

Mas essa paralisação provoca atraso nas obras.
Até por sua complexidade, as obras estão atrasadas. O consórcio não entende que precisa dar um incentivo a mais para o trabalhador.

A greve é por tempo indeterminado? Não tem negociação?
O trabalhador está comprometido. Mas o consórcio precisa ceder. Voltaremos a negociar. Se eles cederem, retornamos ao trabalho. Senão, ficamos como estamos.

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Outras obras dos Jogos também são afetadas por greves

Além dos operários do Parque Olímpico, os trabalhadores da construção pesada também entraram em greve nesta segunda-feira. Com a decisão, obras como a Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, além dos corredores de ônibus expresso previstos para os Jogos tiveram parte de suas obras paralisadas.

– A adesão foi de 80% em todas as obras no Rio. Essa greve não se limita às construções olímpicas – explicou o presidente do o presidente da Sitraicp, Nilson Costa.

De acordo com Costa, desde a semana passada, algumas obras já estavam sofrendo paralisações. O dirigente sindical citou a construção do BRT Transcarioca, que ligará o Aeroporto Internacional Tom Jobim à Barra da Tijuca.

O Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016 disse que tem procurado compensar o atraso na obras do Parque Olímpico com a antecipação do desenvolvimento de outros projetos. Mas advertiu que o tempo perdido na construção do complexo terá de ser recuperado ao término das paralisações.