icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese e Rodrigo Vessoni
04/06/2014
07:30

A trajetória de Ángel Romero, que deve ser confirmado até o fim desta semana como reforço do Corinthians para o Brasileirão, é parecida com aquela vivida pela maioria dos jovens brasileiros: dificuldade na infância, amor incondicional pelo futebol e um ex-jogador por trás da descoberta. No seu caso, com uma diferença: viveu tudo ao lado de Óscar, seu irmão gêmeo e grande companheiro, que também atua no Cerro Porteño.

Nas negociações com o Timão, a família chegou a pedir que fosse não só o atacante, mas também o irmão, meia. Mas este não era um desejo de Mano Menezes. Por sinal, tanto clube como o estafe de Ángel veem a separação com bons olhos e no momento ideal para acontecer.

O atacante, atualmente com 21 anos (fará 22 em julho), começou na escolinha de futebol Sport Primavera, da Liga Fernandina, com apenas 7 anos. Na sequência, ele e seu irmão foram jogar no Sport Colombia (PAR), que disputa atualmente a segunda divisão paraguaia, onde ficaram até os 13 anos.

Foi aí que surgiu Adolfino Cañete, ex-jogador da seleção paraguaia, que passou a acompanhar suas carreiras. Foi “El Fino”, como é conhecido em seu país, que os levou ao Boca Juniors. Porém... Eles não assinaram contrato e, por cerca de um ano e meio, apenas jogaram em ligas amadoras da Argentina. Ángel chegou a ser gandula em jogos do Boca, pegando bolas para os famosos Riquelme e Palermo.

Na mira do Corinthians, Ángel Romero mostra faro de gol

Em um período, os irmãos quase foram levados por um empresário para o Real Madrid (ESP), mas a negociação acabou não vingando.

De volta ao Paraguai, “El Fino” deu três opções de clubes para fechar: Cerro Porteño, Olimpia e Libertad. Eles escolheram o Cerro, em 2008, time do coração do avô Silvestre Villamayor (falecido), a quem dedicam os gols no El Ciclón, estádio do clube paraguaio.

No Cerro, o apoio de Santiago e José Domingo Salcedo, que eram as principais referências da equipe naquela temporada de 2008, foi crucial. Os Salcedos viraram conselheiros e até motoristas. Em 22 de maio de 2011, Ángel estrearia na equipe principal contra o Sol de América. E ele fez um dos gols.

Agora, contratado pelo Corinthians, Ángel Romero viverá duas experiências inéditas em sua vida: viver longe da avó Dora Pacuá, que suportou suas partidas particulares no quintal da casa durante muitos anos, e viver longe do irmão Óscar, que permanecerá no Cerro.

– Os dois eram muito travessos, destruíam todas as plantas do meu jardim com a bola quando eram mais novos. Quando viajavam, eu chorava bastante e não sei o que vai acontecer quando forem embora – confidenciou a avó, em entrevista ao jornal paraguaio Última Hora.

Além da avó e da mãe, María Lucia Villamayor, que também cumpriu o papel de pai desde sempre, os irmãos tiveram ajuda do tio Luís, que jura ter deixado de torcer para o Olímpia para amar o rival Cerro – o irmão Fernando, também jogador, atua no Unión San Felipe, do Chile.

Agora, será a hora de desapegar do passado. A avó deverá ficar em Assunção (PAR), assim como seu irmão, que não deve ser liberado pelo Cerro Porteño para nenhum outro clube, afinal, perder os dois seria comprar uma briga com a torcida.

No Corinthians, o jogador é visto como uma joia a ser lapidada, com lucro vislumbrado no futuro. Por ter sido convocado para a seleção do Paraguai no fim do ano passado, ele também despertou interesse de clubes da Europa e do Oriente Médio.

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