icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
13/03/2014
06:30

Em processo solicitado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que corre na 17ª Vara do Fórum Criminal da Barra Funda desde a última segunda-feira, quatro torcedores - três presos e um foragido - que participaram da invasão ao CT Joaquim Grava, no dia 1º de fevereiro, foram denunciados em três artigos do Código Penal: 288 (formação de quadrilha), 146 (constrangimento ilegal) e 163 (crime de dano).

Além de Tiago Aurelio dos Santos Ferreira, Gabriel Monteiro de Campos e Tarcísio Baselli Diniz, torcedores já identificados e presos, Fernando Wilson de Carvalho, vulgo "Suíça", que está foragido, também foi denunciado. A defesa tem dez dias, a partir da protocolação do processo, para apresentar provas e testemunhas para o juiz, que então determinará o prazo para a audiência.

De acordo com o documento da denúncia, os quatro "na função de líderes ('linha de frente'), comandaram a invasão ao referido CT, com o propósito específico de procederem agressões aos atletas, bem como constrangê-los e ameaçá-los, concorrendo, destarte, para a ocorrência de diversos atos de barbáries e selvageria, que evoluíram, inclusive, para a prática de crimes contra o patrimônio".

A denúncia ainda diz que Fernando Suíça foi quem "cortou a tela do alambrado, com ferramenta específica, possibilitando que os demais torcedores adentrassem o Centro de Treinamento".

"Gabriel, que já tem registro de envolvimentos anteriores em outros autos de vandalismo e invasão a campos de futebol, era dos mais agressivos e, aparentemente drogado, incitava os demais invasores à prática dos crimes. Tiago, veterano em tumultos e ilegalidades em estádios de futebol, tendo inclusive ganhado 'notoriedade' após ser preso em Oruro na Bolívia, da mesma forma estimulava a exaltação dos ânimos dos torcedores, agindo de forma violenta. E Tarcísio, juntamente com seus comparsas, incentivava o tumulto", diz trecho do documento.

No dia 20 de fevereiro, a Polícia Civil deu início à "Operação Hooligans", para começar a punir os invasores do CT. No mesmo dia, Tarcísio e Gabriel foram presos. Além deles, Danilo dos Santos Gomes foi preso em flagrante, por porte ilegal de arma, mas já está liberado. Dias depois, Tiago Aurelio se apresentou à delegacia.

A delegada Margarete Barreto, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), havia solicitado a prisão de Anderson Cavalcanti da Silva, cujo mandado foi revogado pela Justiça após o mesmo comprovar que estava trabalhando no momento da invasão. Dos quatro mandados de prisão que valiam, apenas Fernando, que pertence à Gaviões da Fiel, está foragido. Segundo o advogado que representa a torcida, Ricardo Cabral, seu cliente só vai se apresentar em juízo, o que deve ocorrer nos próximos dias, após a confirmação do processo.

DESCRIÇÃO DOS ARTIGOS

- Art. 288: Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes. Pena: Reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

- Art. 146: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena: Detenção, de três meses a um ano, ou multa.

- Art. 163: Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena: Detenção, de um a seis meses, ou multa.

ÔNIBUS TAMBÉM É 'IDENTIFICADO'

No dia da invasão, segundo relatos, primeiramente um grupo de 15 torcedores apareceu na porta do CT para protestar. Minutos depois, porém, alguns carros e um ônibus, com centenas de torcedores, chegaram ao local. De acordo com um funcionário do Corinthians que prestou depoimento, ele afirma "ter 100% de certeza" de que o ônibus era o mesmo que estava no dia 31 de outubro do ano passado, quando cerca de 20 torcedores - a maioria da Camisa 12 - apareceram na porta do CT para protestar de forma pacífica contra Romarinho, Pato e Emerson Sheik.

O CASO

No dia 1º de fevereiro, um sábado, quando o elenco treinaria pela manhã, mais de cem torcedores invadiram o CT Joaquim Grava, ameaçaram jogadores, agrediram funcionários, furtaram três celulares, danificaram carros e o próprio CT. O presidente Mário Gobbi Filho afirmou que o atacante peruano Paolo Guerrero chegou a ser "esganado", fato desmentido pelo próprio.

Depois do episódio, a segurança do CT foi reforçada e alguns carros da Polícia Militar fazem a ronda do local no dia a dia de treinamentos do Corinthians. Alguns funcionários já prestaram depoimentos e a polícia ainda espera ouvir o atacante Paolo Guerrero, um dos principais envolvidos no dia.