icons.title signature.placeholder Lucas Faraldo Knopf
15/04/2014
07:50

Torcedor apaixonado desde criança. Vai em todos os jogos do clube quando joga "em casa". Viajou a dezenas de cidades para torcer por seu time de coração. Criou uma torcida organizada para a equipe. Este é Fábio Luis da Silva, natural de Itu, fundador da torcida Galoucura e um dos mais fanáticos seguidores do Ituano Futebol Clube.

Aos 35 anos de idade, Fábio se orgulha por juntar pôsteres das conquistas do Galo de Itu. Na manhã desta segunda-feira, o torcedor adquiriu mais um para sua coleção. Campeão paulista de 2014, o Ituano, na opinião de Fábio, deve a conquista a um homem, especificamente: Juninho Paulista, ex-jogador e atual presidente do clube.

– Você vê o que ele (Juninho) faz hoje em dia pelo Ituano e deixa a gente muito orgulhoso. É difícil fazer o que ele fez. Ele e também o Doriva foram fundamentais (na conquista do Paulistão). O Juninho sendo gestor e o Doriva com toda sua experiência por ter jogado pelo São Paulo e fora do país. Eles não formaram um time, formaram uma família – declarou o torcedor, em entrevista ao LANCE!Net.

Poucas horas depois de comemorar o bicampeonato paulista de sua equipe, Fábio já confessou estar de olho no futuro. Graças à grande campanha do Galo no Estadual, o clube garantiu vaga na Série D do Campeonato Brasileiro deste ano e na Copa do Brasil do ano que vem.

– Eu acho que a Série D não é tão difícil, por mais que tenham lugares distantes para jogar. Se o Juninho conseguir manter alguns jogadores e montar um bom time, acredito que o Ituano consiga logo a classificação e o título – afirmou.

– Conseguimos o título paulista, que é algo que a cidade não esperava. Mas a gente quer sempre mais. Ano que vem temos a Copa do Brasil para disputar. Se o Santo André já conseguiu ganhar em cima do Flamengo no Maracanã, por que o Ituano não pode ganhar? Se eles conseguiram, a gente consegue – completou o torcedor, lembrando-se da "zebra" que passeou pelo Rio de Janeiro na edição de 2004 do torneio de mata-mata.

EM FAMÍLIA

Quando Fábio começou a frequentar o Estádio Novelli Júnior, em meados década de 80, tinha a companhia de seu pai (com quem inclusive fundou, em 1992, a torcida organizada Falange Rubro-Negra, que dez anos depois viria a se chamar Galoucura). Hoje, pai de dois filhos, o já experiente torcedor faz a cabeça de seus dois pequenos, amantes do Galo de Itu desde cedo.

– Tenho dois filhos. Uma menina de 11 anos e um menino de cinco. Eles têm duas opções: torcer ou torcer – contou, entre risos, o fanático pelo Ituano, que já tratou de comprar camisetas tanto do clube quanto da torcida para sua prole.

– Tenho uma pasta para guardar os pôsteres, que deixo dentro do guarda-roupa para ninguém mexer. Se as crianças acham e pegam para brincar, já viu, né? – acrescentou Fábio, que também guarda com carinho canecas, camisas, bandeiras, revistas, bonés e ingressos de jogos. Tudo com símbolos e cores do Galo.


Em primeiro plano e de óculos, Fábio mostra-se atento na final do Paulistão (Foto: Arquivo Pessoal)

CORAÇÃO (NEM TÃO) DIVIDIDO

Torcer para um clube do interior é difícil, entre outros motivos, pela falta de jogos disputados pela equipe ao longo de uma temporada inteira. Assim, é comum que amantes dos milhares de times Brasil afora adotem uma "segunda equipe de coração".

No caso de Fábio, o São Paulo é quem tem um lugar especial em seu coração. Nos confrontos entre o Galo de Itu e o Tricolor do Morumbi, no entanto, a torcida é certa para um dos lados.

– Se jogar Ituano e São Paulo, vou torcer pelo Ituano. O São Paulo tem vários títulos. Então o Ituano ganhar o Campeoanto Paulista, por exemplo, é muito melhor do que o São Paulo, que já tem vários – explicou.

SER RUBRO-NEGRO É...

Fábio foi em quase todas as finais disputadas pelo Ituano nos 63 anos de história do clube. Em 1989, estava no Novelli Júnior quando o Galo bateu a Ponte Preta por 2 a 0, sagrou-se campeão da Série A2 do Paulistão e garantiu a então inédita vaga na elite estadual.

Em 2002, viu o time ser campeão paulista diante do América de Rio Preto. No ano seguinte, comemorou as conquistas da Copa Paulista e da Série C do Brasileirão. Nos dois últimos domingos, esteve no Pacaembu vendo de perto a equipe rubro-negra aprontar para cima do Santos.

Com tal "currículo", acumulando décadas de história como torcedor, Fábio ainda não encontrou uma palavra para definir o que sente pelo Ituano. Ele sabe que é diferente, que é difícil. Mas na hora de definir com exatidão o que é torcer pelo Galo de Itu...

– É um sentimeno diferente. Torcer para time grande é fácil, mas torcer para time pequeno, acompanhar e saber de todas as dificuldades encontradas no clube, desde estrutra e tal... Torcer pelo Ituano é inexplicável – finalizou.