icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
03/07/2014
08:30

Schweinsteiger acordou por volta de 6h e tomou café com os companheiros. Depois, conversou com um segurança. Não era nem 7h e ele vestiu uma touca, óculos escuros e deixou a concentração alemã rumo a uma igreja. Ninguém o notou. Após rezar por cerca de 30 minutos, estava de volta. O episódio aconteceu no dia 26 de junho, no Recife. Horas mais tarde, ele foi titular da Alemanha pela primeira vez na Copa do Mundo, no duelo diante dos Estados Unidos.

Três dias depois, em Porto Alegre, o camisa 7 repetiu a cena - desta vez de forma pública, saiu com o meia do Grêmio, Zé Roberto, para visitar uma igreja na cidade na véspera do duelo diante da Argélia, pelas oitavas de final.

A fuga da realidade de jogos, concentração e da pressão para conquistar o inédito título com a camisa de seu país é a alternativa que o camisa 7 tem encontrado para ter equilíbrio mental.

- Ele disse que não aguenta mais. É muito tempo de treinos, de ansiedade pelo torneio. Por isso, sempre inventa algo quando dá. Ele é muito religioso, já queria ter ido a uma igreja antes - disse um dos funcionários que faz a segurança para a seleção alemã no Brasil.

Aos 29 anos, Schweinsteiger completou, em junho, dez anos na seleção. Sua Copa começou com incertezas, já que ele se recuperava de uma lesão no joelho esquerdo que o havia tirado da final da Copa da Alemanha pelo Bayern de Munique contra o Borussia Dortmund, em meados de maio. Agora, o volante já mostrou as caras. Dentro e fora de campo...

No Brasil, seu lado "fanfarrão" e inquieto o tornaram um dos mais carismáticos da Copa. Após a visita da tribo Pataxó a um treino da Alemanha, em Santo André (BA), o volante foi visto voltando na van da delegação vestindo um cocar. Ao passar pelos jornalistas, colocou a mão para fora para cumprimentar um a um.

Schweinsteiger vestiu a camisa do Bahia (Fernando Amorim/Jornal A Tarde)

Foi dele, por exemplo, a ideia de gravar o vídeo com a camisa do Bahia para mandar para o zagueiro Dante, companheiro no Bayern. Ao ver Neuer com a camisa tricolor, que era presente do jogador brasileiro, ele saiu enlouquecido para a rua pedindo que alguém lhe desse uma em troca da camisa da Alemanha. Quando conseguiu, pediu que os locais ensinassem o hino do clube e o vídeo ganhou repercussão na internet. Logo depois, ele ficou conversando com um brasileiro, que não entendia nada.

- Ele que veio até mim. Me puxou, sentou e começou a conversar. Falava alemão e eu, português. Não entendemos nada, mas a humildade dele me marcou. O cara que eu sempre vi pela televisão estava agindo assim comigo - disse Henrique Ramos dos Santos, que é funcionário do Campo Bahia, onde os alemães estão hospedados.

Nos dias de folga, moradores de Santo André e turistas ficam na porta do complexo da Alemanha, à espera de um contato com jogadores. O mais esperado é Schweinsteiger. Em uma das folgas, ele se encontrou com o professor de dança Mauro Tibúrcio, que conheceu por Rafinha, brasileiro que também atua no Bayern. O volante e Neuer arriscaram os passos do "Lepo Lepo" e caíram nas graças dos fãs.

Schweinsteiger também foi quem participou da visita a uma escola de Santo André, na qual jogadores assistiram a uma apresentação e depois bateram bola com alguns alunos.

No dia em que o Brasil passou pelo Chile nas oitavas de final, após disputa de pênaltis, a Federação Alemã de Futebol divulgou um vídeo dos jogadores acompanhando o jogo com funcionários do Campo Bahia. Novamente ele, Schweinsteiger, destacou-se. Com uma bandeira do Brasil em mãos, ele comemorou a permanência dos anfitriões na Copa.

Sob holofotes fora de campo nesta Copa, o jogador também começa a crescer dentro. Na estreia diante de Portugal, nem sequer entrou. Contra Gana, foi utilizado no segundo tempo e ajudou a equipe a buscar o empate. Nos últimos dois jogos, diante de Estados Unidos e Argélia, retomou a vaga no lugar de Khedira e a confiança dos companheiros. Contra a França, nesta sexta-feira, às 13h, no Maracanã, pelas quartas de final da Copa, volta a ser referência do time. Para cair ainda mais nas graças de todo mundo.

Schweinsteiger procurou a esposa na arquibancada na Arena Pernambuco (Foto: AFP)

SCHWEINSTEIGER FORA DO SCRIPT

Farra com cocar
Após a visita da tribo Pataxó a um treino da Alemanha, em Santo André (BA), o volante foi visto voltando na van da delegação vestindo um cocar. Ao passar pelos jornalistas, colocou a mão para fora para cumprimentar um a um.

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Hino do Bahia
Ao ver o goleiro Neuer com a camisa do Bahia, que era presente do zagueiro Dante, companheiro de Bayern de Munique (ALE), ele saiu enlouquecido para a rua pedindo que alguém lhe desse uma em troca da camisa da Alemanha. Quando conseguiu, pediu que os locais ensinassem o hino do clube e o vídeo ganhou repercussão na internet.

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Beijo na namorada
Após a vitória sobre os Estados Unidos, o volante foi até a arquibancada da Arena Pernambuco para dar um beijo na esposa, Sarah Brandner.

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Lepo Lepo na praia
Em uma das folgas, ele se encontrou com o professor de dança Mauro Tibúrcio, que conheceu por Rafinha, brasileiro que também atua no Bayern. O volante e Neuer arriscaram os passos do "Lepo Lepo" e provocaram risos.

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Visita à escola
Ao lado de cinco jogadores e do gerente Oliver Bierhoff, ele visitou uma escola em Santo André. Fez questão de discursar, foi zombado pelos companheiros e ainda jogou bola com as crianças.

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Igrejas
Católico, o volante alemão foi a duas igrejas no Brasil. Uma no Recife, no dia do jogo contra os Estados Unidos, e outra em Porto Alegre, na véspera do duelo contra a Argélia.