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22/04/2014
11:44

Roney Henrique Pereira é biólogo. E negociante. E panfleteiro. E pedinte. Em resumo, flamenguista apaixonado. Torcedor fanático, desses que, para não perder um jogo do Rubro-Negro carioca, foi capaz de vender o liquidificador recém-comprado pela mãe em dez vezes sem juros no carnê. Pouco importa que tenha sido pela metade do valor adquirido. Pouco importa que, até hoje, ela não saiba como o eletrodoméstico sumiu da cozinha. Foi lá e vendeu ele, tênis e algumas roupas. Entre elas, até uma camisa assinada por Zico. Mas esta só porque já tinha outra igual autografada pelo Galinho.

Roney Henrique em jogo do Fla contra o Santos, na Vila Belmiro (Foto: Arquivo Pessoal)

- Já fui para a estrada pedir carona com o bolso vazio, mas consegui a ajuda para ver o jogo: uma partida do time juvenil, em Bangu, no Rio. Em outra ocasião, fui panfletar um evento do Flamengo para uma loja do patrocinador do clube, uma empresa de telefonia. Como eles me prometeram somente metade do valor do ingresso pelo trabalho, enquanto eu panfletava, pedia moedas. De centavo em centavo, mais o que o lojista me pagou, consegui comprar o bilhete - lembra ele, que mora em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Hoje com 24 anos, Pereira declarou fidelidade ao Flamengo ainda aos 6. Frente à derrota do time para o Fluminense no Campeonato Carioca de 1995, com o gol de barriga de Renato Gaúcho, queria provar para o pai que não era pé-frio. Aos 11, mais exatamente no gol de falta de Petkovic na final do Carioca de 2001, veio a decisão de acompanhar a equipe tão logo atingisse a maioridade. Fez até o comunicado para a família, que não o levou a sério. Não só cumpriu a promessa como a fez de modo precoce, ficando no encalço rubro-negro ainda aos 16 anos.

Em 2007 compareceu a 36 jogos na temporada. No ano seguinte, esteve presente nas finais do Campeonato Carioca e em outros 26 jogos pelo Brasil. Em 2009 lá estava Roney em outros tantos. Mas foi no da Vila Belmiro que ele iniciou as loucuras de amor ao time. Sem dinheiro, viajou graças à "vaquinha" dos amigos. O montante deu para cobrir as despesas com o ingresso e do aluguel da van para a ida e a volta a Santos, lugar onde, diga-se de passagem, o Flamengo historicamente só colecionava revezes. Sobraram 20 reais para o grupo todo - cerca de dez pessoas -, se manter ao longo dos dois dias.

- Dividimos uma coxinha e um refrigerante de dois litros para todo mundo. Fomos e voltamos com fome, mas o Flamengo, finalmente, bateu o Peixe na casa deles - lembra ele que, rindo, se recorda de ter faltado ao trabalho e de ser surpreendido aparecendo na transmissão da partida:

- Meu patrão jogou na cara o porquê de eu não ter ido trabalhar. Em minha defesa, lembrei-o que avisei não poder ir, e das minhas horas extras que acumulava visando justamente a compensar essas ausências.

O único arrependimento demonstrado pelo torcedor foi na ida a Porto Alegre em 2011. Não pelo placar, 4 a 2 para o Grêmio, mas pela decisão de não levar roupas adequadas para protegê-lo das baixas temperaturas.

- Tive de usar roupas dos colegas de lá, mas nenhuma cabia em mim. Como estava muito frio, não tive escolha. Vesti e fui assistir ao Flamengo de baby look - sorri.