icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
15/11/2013
15:25

A final da Copa do Brasil deste ano coloca dois clubes com um histórico de gestão bem diferentes. O confronto de rubro-negros é similar somente nas cores.

O Flamengo, detentor de 17% da torcida brasileira, passou anos com gestões desequilibradas em termos financeiros, mesmo com títulos importantes. O clube, na última década, acumulou pesados déficits a cada ano e aumentou muito seu endividamento.

O Atlético-PR, com 1% da torcida do Brasil, desde 1995 colocou em prática um plano estratégico, que resultou em um CT de última geração e arena antes dos anos 2000 e um acúmulo de superávits. Em breve o clube finaliza seu projeto da arena, que será 100% controlada pelo clube.

Em termos de receitas, o Flamengo fechou 2012 com R$ 212 milhões gerados, contra R$ 90 milhões do Atlético-PR. O crescimento do Flamengo foi impulsionado pelo tamanho de sua torcida e o Atlético-PR pela exploração de seus ativos. Ambos se beneficiaram do aumento das receitas da TV, mas em proporções completamente diferentes.

A evolução da receita de ambos os clubes a partir de 2003

Os diretos de transmissão em 2012 para o clube da Gávea atingiram R$ 105 milhões, contra R$ 31 milhões do Furacão. O Flamengo sempre investiu em times caros e pouco em infraestrutura. Muitos desses gastos elevados geraram dívidas trabalhistas e fiscais, além de outros problemas por falta de recolhimento de impostos e contribuições sociais.

Outra grande dificuldade para o clube são suas despesas financeiras, provenientes de empréstimos, que financiam parte de suas atividades.
Os custos com futebol do clube da Gávea, que em 2003 eram de R$ 35 milhões, em 2011 atingiram R$ 109 milhões. O clube não apresentou os custos com futebol de forma consolidada de 2012, mas minha projeção é que atingiram R$ 130 milhões.

A nova gestão que assumiu o Flamengo em 2013 começou a enfrentar o problema das dívidas e seu recorrente fluxo de caixa negativo, em um projeto de reestruturação importante para o seu fortalecimento. Os finalistas da Copa do Brasil, um clube gigante em torcida e dimensão nacional, com sérios problemas financeiros e outro fora do eixo RJ-SP, que virou uma potência financeira para os padrões nacionais, graças ao investimento realizado.

Bastante simbólico e representativo para o momento atual do nosso futebol.