icons.title signature.placeholder Marcio Porto
12/06/2014
09:02

Sem conseguir atrair as atenções da CBF, Tereza Broba tenta se virar para manter viva a memória do ex-goleiro Barbosa. A filha adotiva do arqueiro massacrado pela perda da final da Copa de 1950 está vendendo um pedaço de uma trave de madeira, supostamente a mesma utilizada na final do Mundial, no Maracanã.

A cuidadora pretende usar o dinheiro para finalizar uma estátua que mandou preparar do ex-goleiro. O objeto seria exibido em uma exposição sobre a vida e os feitos de Barbosa, que ela também pretende montar em Praia Grande.

O pedaço da trave foi doado por um historiador da cidade de Muzambinho, Minas Gerais. O outro, conta Tereza, Barbosa recebeu de presente, mas se desfez.

– Estava cansado de 50. Queimou a madeira e fez um churrasco com as brasas – afirma.

Barbosa morreu com 79 anos. Passou a vida tendo de responder sobre a falha na final da Copa de 50. O dramaturgo Nelson Rodrigues, falecido em 1982, escreveu certa vez que o povo brasileiro “esqueceu da febre amarela (...), mas o que ele não esquece, nem a tiro, é o chamado frango de Barbosa”. O ex-goleiro sofria.

Por isso, decidiu largar o Rio de Janeiro, onde fez carreira pelo Vasco, e se refugiar no litoral paulista. Lá, com a esposa Clotilde e a cunhada, encontrou a filha que nunca teve.

Tereza era dona de um quiosque na Praia Grande e vendia o “birinaite”, bebida da mistura de Cynar com cachaça, apreciada por Barbosa. E o acompanhou até o fim dos dias.

– Foi como uma paixão à primeira vista. Ele foi meu pai de verdade.