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04/02/2015
18:41

O presidente Jorge Lacerda e o superintendente administrativo Rafael Westrupp representaram a CBT em reunião com o presidente da FFT, Jean Gachasin, na sala administrativa da entidade, que fica na quadra Philippe Chatrier, principal estádio de Roland Garros.

A negociação entre CBT e FFT começou na última edição do Grand Slam francês, com a entidade francesa reconhecendo o trabalho desenvolvido no Brasil a partir dos tenistas juvenis, que obtiveram grandes resultados internacionais nos últimos anos com o investimento da CBT e dos Correios, patrocinador oficial do tênis do Brasil desde 2008.

O primeiro evento já será realizado no mês de abril, em São Paulo, onde os tenistas juvenis brasileiros disputarão uma seletiva para a chave junior de Roland Garros. Entre os dias 16 e 19 de abril, haverá uma chave masculina e uma feminina, ambas com 16 tenistas de até 18 anos que não estiverem com ranking para entrada direta no torneio (ranqueados até 48º garantem vaga na chave principal). Os campeões de cada chave vão a Paris e disputam um round robin com os vencedores de China e Índia. O vencedor entra direto no Grand Slam e os outros dois atletas recebem vaga no qualificatório.

"Acho bola dentro esta parceria porque a França é o país que mais tem se destacado no tênis, nos últimos anos, com vitórias em Copa Davis, títulos  extraordinários, e ainda na formação de atletas. Eles têm a fórmula certa para aproximar as pessoas, as crianças do tênis. Essa parceria abre um caminho excelente de aprendizado para o Brasil", avalia Gustavo Kuerten.

Outro evento será o Roland Garros in the city, que acontecerá no mês de junho, durante a realização do Grand Slam, que acontece de 26 de maio a7 de junho. Esta ação terá atividades de tênis com uma quadra de saibro, exposição de patrocinadores e telão para acompanhar os jogos, tudo isso com entrada gratuita e previsto para acontecer no Rio de Janeiro, nos mesmos moldes do que foi realizado em Pequim, na China, em 2014.

"Escolhemos o Brasil em função do trabalho que vem sendo desenvolvido pela CBT nos último anos. O Brasil vem conquistando excelentes resultado com os juvenis em Roland Garros, e vimos a importância de estabelecer uma parceria a longo prazo com a CBT. Há também uma história profunda, em função de tudo o que o brasileiro Gustavo Kuerten construiu ao longo da sua trajetória em Roland Garros", afirma Lucas Douburg, gerente da FFT, que esteve na sede da CBT em novembro e acompanhou todas as reuniões para o acordo.

"Uma das iniciativas será introduzir um torneio classificatório para Roland Garros, que deverá ser disputado em São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril. Teremos ainda o Roland Garros in the City, que acontecerá no mês de junho. Este evento é totalmente inspirado no evento francês, mas com acesso gratuito ao público local e que deverá ser realizado no Rio de Janeiro", completa Douburg.

A parceria entre a CBT e a FFT também se estenderá à administração visando o desenvolvimento e o legado dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Além do aproveitamento do Centro Olímpico de Tênis, este acordo inclui a capacitação dos departamentos e informações como o modelo de atuação da FFT junto às federações e clubes, apresentado pelo Diretor de Desenvolvimento da entidade francesa, Fabien Boudet.

"Esta aproximação é muito importante para a CBT. Conversando com o presidente da FFT, deixamos claro que vamos precisar de todo o conhecimento deles no desenvolvimento do plano para o legado do Jogos Olímpicos, onde a CBT deve apresentar um projeto ainda em 2015 ao Ministério do Esporte, COB, Rio-2016, Autoridade Pública Olímpica (APO), PMRJ e Governo Estadual do Rio de Janeiro, tendo como base o que fez e faz a FFT com a sede de Roland Garros", explica o presidente Jorge Lacerda.

Os representantes da CBT também se reuniram com o representante da embaixada do Brasil na França, Paolo Torrecuso, para apresentar o plano de cooperação entre CBT e FFT, além de falar do legado olímpico no Rio, onde a CBT tem o propósito de seguir o modelo da FFT, que explora a área de Roland Garros num convênio com o governo, tendo a concessão do terreno por 50 anos.

Desenvolvimento da base no tênis brasileiro

A conquista do acordo com a FFT acontece um ano após o Brasil obter alguns de seus melhores resultados na história no juvenil. Com um trabalho de planejamento do Departamento Infanto-Juvenil e a parceria com os Correios, o tênis brasileiro teve em 2014 Orlando Luz como semifinalista de Roland Garros em simples e nas duplas, com João Menezes, enquanto Luisa Stefani foi à semifinal de duplas femininas.  

O Brasil ainda teve o título de duplas em Wimbledon com Orlando Luz e Marcelo Zormann, o vice-campeonato de duplas no US Open com Rafael Matos e João Menezes, além das duas medalhas nos Jogos Olímpicos da Juventude, com o ouro de Luz e Zormann nas duplas e a prata de Luz em simples. Ao final da temporada 2015, o Brasil teve nove tenistas top 100 no ranking mundial juvenil, número abaixo apenas de Estados Unidos, Rússia, Austrália, Grã-Bretanha e França, que teve apenas um a mais que os brasileiros.

Nos Mundiais por Equipes em 2014, o Brasil foi quinto na categoria 16 anos masculino, quarto na categoria 14 anos masculino e quarto na categoria 12 anos feminino. Na BNP Paribas Cup, principal competição da categoria 14 anos, o campeão foi o brasileiro Thiago Wild. As principais competições de juvenis realizadas no Brasil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre, foram vencidas pelo brasileiro Orlando Luz na categoria 18 anos.

Para chegar a este estágio nas principais competições do mundo no juvenil, estes tenistas passaram pelo Circuito Nacional Correios Infanto-Juvenil, que desde 2011 reúne grandes talentos da base do tênis brasileiro e já revelou atletas como Gabriela Cé, que hoje defende o país na Fed Cup, destaques atuais em competições juvenis como Orlando Luz e Luisa Stefani, e muitos outros jogadores. Com seis etapas, o circuito conta com chaves G1 e GA, sendo que os competidores do GA recebem gratuidade de alimentação, hospedagem e transporte do hotel ao clube nos torneios.