icons.title signature.placeholder LANCEPRESS!
23/07/2014
17:07

A apresentação de Dunga como técnico da Seleção foi a confirmação do que se temia. Um treinador que mostra descaso pelo futebol-arte – o que nos deu os cinco títulos mundiais, ainda que os de 1994 e de 2002 tenham sido mais às custas do gênio de Romário/Bebeto e Ronaldo/Rivaldo do que fruto de equipes com a abundância de talento dos títulos anteriores.

O que não se pode deixar de observar, para aqueles que defendem o “futebol de resultados” versus o ”jogo bonito”, é que os títulos mundiais de 2010 e 2014 foram construídos por equipes competitivas (como deve ser), mas que tinham o toque de bola como característica mais destacada.

Aliás, sem tirar os méritos de Vicente del Bosque e Joaquim Löw, Pep Guardiola deveria ter também uma Copa na sua estante.  Em 2010 a Espanha contava com sete jogadores do Barcelona; em 2014, a Alemanha levou o tetra com sete jogadores do Bayern. Os dois times treinados pelo catalão.

LEIA TAMBÉM:

    Dunga promete ser mais brando com a imprensa
    CBF confirma retorno de Dunga à Seleção

Foi com a habilidade para manter e reconquistar a posse de bola que estas duas seleções venceram. Não foi através de chutões, ligações diretas e outros atos de um tipo de jogo que pode até ganhar, mas que nada tem a ver com cultura futebolística do Brasil.

Seleção alemã: base do Bayern de Guardiola para levar o tetra mundial (Foto: AFP)

Nada pessoalmente tenho contra o Dunga. Mas a sua presença no comando da Amarelinha é a prova definitiva de que da dupla Marin/Del Nero não se pode esperar nada que chegue perto de uma guinada para o futBr. Justo quando as ruas clamam por uma mudança de rumo para o nosso esporte maior.

Qual sinal é dado aos professores de escolinhas de base de todo o Brasil com esta filosofia, Dunga? Continuaremos preferindo a força à técnica, o que quer dizer que seguiremos carentes de jogadores de criação.

Demos nesta terça-feira um passo gigante rumo ao passado, mas não o passado das glórias e da admiração mundial. Não o nosso passado que inspirou as equipes vencedoras de 2010 e 2014. Mas um outro, que queremos esquecer, pois não traz boas lembranças.

Nesta terça-feira, mais uma vez, acionamos a marcha à ré. #mudafutbr