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02/02/2015
20:42

O futebol é capaz de proporcionar ótimas e improváveis histórias. Em confronto válido pela primeira rodada do Carioca, o Nova Iguaçu perdia o jogo para o Tigres do Brasil debaixo de chuva em Xerém, com um jogador a menos em campo. Mas, nos acréscimos, coube ao baixinho Cesinha o papel de herói. Menor atleta do elenco, com 1,69m de altura, e logo na sua estreia como profissional, marcou de cabeça o gol do empate em 1 a 1.

Aos 46 minutos do segundo tempo, o Nova Iguaçu tinha dois atletas a menos - além de Paulo Henrique, expulso no início da etapa final, o zagueiro Jorge Fellipe estava sendo atendido do lado de fora do campo. E, na cobrança de escanteio do lado direito, o lateral Cesinha veio de trás, se adiantou à marcação de Paulinho Guará e testou para o fundo das redes, igualando o duelo.

- Não iria para a área, mas o professor gritou para eu ir, porque era o último minuto de jogo, e graças a Deus consegui fazer o gol e ajudar a equipe. Foi um momento especial, o gol saiu num momento em que precisávamos. Lutamos até o final, porque sabíamos que poderíamos buscar esse empate. O resultado dá um incentivo maior para fazermos um bom campeonato. Vamos procurar fazer história nesse Carioca - prometeu Cesinha.

- Valeu muito a atitude dele. Ele nem era para estar ali, geralmente ele fica na marcação aos atacantes lá atrás nas cobranças de escanteio a favor. Mas ele pediu para ir e falei que poderia, porque estávamos naquela hora com dois a menos. Ele está de parabéns pela atitude, pela agressividade, foi premiado com o gol - afirmou o técnico Eduardo Àllax.

Cesinha chegou sem alarde ao Nova Iguaçu, no meio do ano passado. Cria das divisões de base do Palmeiras, onde ficou oito anos (entre 2006 e 2014), ele primeiramente foi incluído no elenco de juniores do NIFC, que disputou o Torneio OPG no segundo semestre. Recebeu oportunidades no time titular na fase final e, promovido ao elenco principal esse ano, conquistou o posto de titular.

- Sofri uma lesão lá no Palmeiras e quando voltei não atingi o mesmo ritmo e acabei não sendo aproveitado. Ainda tinha mais um ano de contrato, mas resolvi rescindir e procurar alguma coisa melhor na minha carreira. Queria agradecer muito ao Jânio (Moraes, presidente) e ao Jorge (Moraes) pela força, por ter aberto as portas. Cheguei com uma certa desconfiança, mas graças a Deus deu tudo certo, fiz um bom campeonato no OPG e vim focado para essa pré-temporada. Agora é ir com tudo no Carioca para fazer história aqui no Nova Iguaçu - projetou.

De fala mansa e tranquilo, o jogador tem nas costas uma tatuagem que exprime bem sua filosofia de vida: "Vou lutar por mim, mas vou vencer por vocês. Minha família é a minha vida". Natural de Pindamonhagaba, no interior paulista, Cesinha se emocionou ao agradecer o apoio dado pela família. Seu pai, Cesário, veio ficar com o filho em Nova Iguaçu para dar suporte ao lateral-direito, de apenas 20 anos. Na comemoração do gol, foi ao encontro do pai na arquibancada.

- Foi uma emoção muito grande. Meu pai sempre me dá força, incentivo, está sempre do meu lado. Ele está afastado do serviço e tem ficado aqui no Rio comigo. Esse gol é para toda minha família, para minhas irmãs, que estão lá em Pindamonhagaba, meus amigos... E para meus avós, que hoje estão no céu, por parte de pai. Prometi a eles que um dia eu seria jogador de futebol profissional e hoje estou realizando esse sonho aqui no Nova Iguaçu - disse Cesinha, emocionado.