icons.title signature.placeholder Renato Homem
16/12/2013
17:33

Estudo realizado pela consultoria KPMG revela que dos 20 estádios considerados os mais caros do mundo, dez deles estão no Brasil e foram erguidos especialmente para a disputa da Copa do Mundo. A avaliação feita pela empresa leva em conta o valor dos assentos de cada arena. Uma rápida comparação entre os valores finais dos equipamentos erguidos mundo afora revela que no Brasil os estádios encareceram por uma série de fatores. O chamado "custo Brasil", na avaliação do engenheiro civil Marcelo Tessler, especialista em gerenciamento de obras, é o principal deles.

Ele argumenta que o país apresenta hoje um dos cenários mais caros da construção civil ao redor do planeta.

- A construção civil no Brasil está cara. Mais cara do que no Japão e na Alemanha. Isso se deve a uma conjunção de fatores, entre eles, o custo da mão de obra e a política tributária, que é muito pesada - argumenta Tessler, que é membro da Academia Lance!

O estudo feito pela KPMG aponta ainda que o valor global das arenas já concluídas no Brasil e mais as que ainda se encontram em fase final de construção supera todos os gastos feitos pela Alemanha e pela África do Sul, para poderem sediar, respectivamente, as Copas de 2006 e 2010.

- Comparar o preço de uma obra usando-se exclusivamente o critério do valor dos assentos me parece meio injusto. O retrato acaba não sendo fiel. Um empreendimento dessa natureza tem muito mais coisas a serem levadas em conta. Depende do que você irá entregar. Qual o tipo de gramado, de drenagem, qual o modelo de cobertura usado, tudo é determinante para a fixação do preço final da obra - salienta Tessler.

Ele lembra que a alta tecnologia empregada em algumas arenas também é fundamental para determinar o preço final do empreendimento.

- Os ingleses, por exemplo, adoram alta tecnologia. Você tem um telão de US$ 1 milhão e um de US$ 100 milhões, depende da dimensão, da taxa de resolução da tela, da tecnologia empregada - ressalta o engenheiro, que participou como membro consultor das obras do estádio americano do Dallas Cowboy.

A KPMG sustenta, ainda, que o estádio inglês de Wembley é o que se pode chamar de arena mais cara do mundo. Segundo a empresa, cada assento do equipamento britâncio saiu por 10, 1 mil euros (R$ 32,4mil). De acordo com o grupo, o segundo estádio mais caro também fica na Inglaterra, e pertebnce ao Arsenal: cada poltrona do Emirates Stadium fo cotada a 7,2 mil euros (R$ 23,3 mil).

O Estádio Mané Garrincha vem em seguida. Erguida no Distrito Federal, a arena teve um custo final orçado em R$ 1,43 bilhão. De acordo com a KPMG, o equipamento brasileiro ocupa a terceira colocação entre os estádios mais caros do planeta. Cada uma de suas poltronas saiu pela "bagatela" de 6,2 mil euros, o equivalente a R$ 20,7 mil.

O ranking elaborado pela empresa classifica o Maracanã, onde ocorrerá a final da Copa do Mundo, como o sétimo equipamento mais oneroso. Mais caro até do que a Allianz Arena, do milonário Bayern de Munique, onde foi disputada a final da Copa de 2006. Cada assento do chamado Novo Maracanã ficou em aproximadamente R$ 15 mil.

De acordo com estudo levado adiante pela KPMG, se o critério fosse o custo total, o Maracanã seria o 4º mais caro do mundo, enquanto o Mané Garrincha assumiria a 2ª posição. O Itaquerão, que recentemente ocupou as manchetes dos jornais por causa de um trágico acidente que matou dois operários, aparece como o 12ª mais caro.

O custo total do Itaquerão, onde o Brasil fará sua estréia na Copa diante da Croácia, ficou em R$ 820 milhões, seguido de perto pela Arena Pantanal, Pernambuco, Fonte Nova e Mineirão. O Castelão e o Estádio de Natal também figuram na relação dos 20 estádios mais caros do mundo.