icons.title signature.placeholder Felipe Mendes
08/03/2014
08:03

Depois de 12 anos, uma equipe totalmente feminina volta a disputar a Volvo Ocean Race. No Dia Internacional da Mulher, o LANCE! apresenta o sueco Team SCA, que pretende mostrar que um barco comandado por mulheres pode competir de igual para igual na regata de volta ao mundo.

– Temos treinado duro todos os dias. É da nossa natureza lutar o máximo possível. Sabemos que não há limites para saber onde podemos chegar – afirmou a velejadora americana Sally Barkow.

A última vez que a prova contou com um barco feminino foi em 2001/2002, com o Amer Sports Too, comandado por Lisa Charles. De lá para cá, foram três edições com pouca participação. Em 2005/2006, o Brasil 1 chegou a contar com a navegadora australiana Adrienne Cahalan, mas ela acabou dispensada pelo comandante Torben Grael.

Segundo Barkow, a mudança em 2005 para os barcos Volvo Open 70, veleiros com velas muito grandes e quilha móvel, dificultou a participação das mulheres. Porém, a direção da regata diminuiu o tamanho dos barcos, afim de reduzir os custos, o que ajudou no retorno.

O Team SCA foi a primeira equipe a anunciar sua participação na edição 2014/2015. Mais de 250 velejadoras participaram da primeira fase de seleção. Nove já foram selecionadas, faltando ainda três nomes. O time tem três técnicos, entre eles o brasileiro João Signorini, o Joca, com experiência em três edições da Volvo.

A empresa sueca SCA decidiu bancar um time feminino pois atua no ramo de produtos de higiene, e 80% dos seus clientes são mulheres.

A única diferença no barco feminina será a adição de três tripulantes a mais em relação aos adversários.

– Não é segredo que as mulheres, em média, pesam menos. Com justiça, a regra visa deixar todos em igualdade de condição – disse Barkow.


Bate-Bola:

João Signorini
Velejador brasileiro e técnico do Team SCA, em entrevista ao LANCE!Net

Qual a expectativa para a competição? Acredita ser possível vencer?
A Volvo é sempre muito dura. Já são 12 anos sem uma tripulação 100% feminina e a experiência vai fazer falta. Nosso treino tenta recuperar esse tempo. Tento passar para as tripulantes toda a experiência e técnica que acumulei nas últimas três edições. Ainda é cedo para pensar em qual será o nosso resultado.

O que achou da decisão da organização de permitir mais tripulantes no barco feminino?
Na vela, assim como em outras modalidades, o peso é um fator muito importante. Dependendo do barco e da intensidade do vento, o peso pode ajudar ou atrapalhar na velocidade. As mulheres são, geralmente, mais leves. Essa é uma maneira de tentar equalizar o peso.

O mundo da vela oceânica é muito masculino. Acredita que pode haver preconceito?
Na vela oceânica de alto nível, experiência e força física são indispensáveis. Ultimamente, temos visto times e organizadores tentando ao máximo a inclusão de velejadoras. Não creio haver nenhum preconceito. No Brasil 1, por exemplo, tivemos a Adrienne Cahalan conosco na primeira etapa.


A equipe feminina:

Experientes em Volvo
Abby Ehler (GBR), de 37 anos, Liz Wardley (AUS), de 34, e Carolijn Brouwer (HOL), de 40, integraram a equipe Amer Sports Too, na edição da Volvo Ocean Race 2001/2002. A australiana foi a primeira mulher a vencer a Sydney-Hobart, disputa de vela oceânica. A holandesa disputou as Olimpíadas de Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008.

Outros destaques
Sally Barkow (EUA), de 33 anos, disputou Pequim-2008; Annie Lush (GBR), de 33, competiu em Londres-2012; Sam Davies (GBR), de 39, disputou a Vendee Globe; e Stacey Jackson (AUS), de 30, participou de nove edições da Sydney-Hobart.

Completam a tripulação
Duas velejadoras com menos de 30 anos: Justine Mettraux (SUI), de 27, e Sophie Ciszek (AUS), de 28.


A Volvo:

Início
A 12º edição começa dia 4 de outubro com a regata local de Alicante (ESP).

Etapas
Serão nove etapas e 11 cidades, entre elas Itajaí (SC), em abril de 2015, num total de 71.745 km. A última regata será no dia 27 de junho de 2015, em Gotemburgo (SUE).

Barcos
Abu Dhabi (EAU), Team Brunel (HOL), Team SCA (SUE), Team Alvimedica (EUA/TUR) e Dongfeng Race Team (CHN).