icons.title signature.placeholder Thiago Correia
04/07/2014
09:11

O jogo deste sexta-feira entre Brasil e Colômbia, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo, vai colocar frente a frente dois grandes ídolos recentes do Porto: Hulk e James Rodríguez. Além dos dois serem queridos pelo Dragão, a história deles em Portugal está conectada. Chegaram a jogar juntos e foram até campeões, mas os seus auges foram em momentos separados. Na verdade, o colombiano explodiu justamente quando o ex-companheiro saiu.

Hulk chegou em 2008 e, mesmo com outras estrelas no time, virou logo o astro. James foi contratado apenas em 2010, justamente o melhor ano do brasileiro pelo Porto: Liga Europa, Campeonato Português e Taça de Portugal. Enquanto isso, Rodríguez começava a despontar.

- Quando James chegou, o Porto era muito dependente do Hulk, que estava muito explosivo. No ano seguinte, James entendeu seu posicionamento, e com liberdade e confiança fez um ano extraordinário. O James pegou um pouco dessa afirmação do Hulk, ganhamos o Campeonato, a Taça, a Liga Europa, e o James já fazendo parte disso. No ano seguinte, com mais liberdade e confiança, e mais identificado com o que era o futebol português e europeu, James fez um ano extraordinario - explica Pedro Emanuel, que jogou com Hulk e foi auxiliar em 2010/2011 de ambos, quando o técnico era André Villas-Boas, ao LANCE!Net.

James teve três anos no Porto, e todos bem distintos. No primeiro era a promessa, que entrava aos poucos e empolgava. No seguinte já foi titular várias vezes e foi importante para as conquistas. No último, já sem Hulk, foi o craque do time.

- Desde o início a qualidade estava lá. Mas quando chegou, jogava de uma forma diferente da que pretendíamos e demorou um pouco a se adaptar. Nos jogos que observamos no Banfield, jogou algumas vezes como "médio ala", era um falso ponta pela esquerda, às vezes na direita. Procuravamos o posicionamento interior, que é a definição de passe, técnica, de procurar espaço entre as linhas, e a partir daí servir os homens de frente - lembra o atual técnico do Arouca:

- Quando começou a jogar, a qualidade apareceu. O entendimento do jogo é uma característica forte, o que é cada vez mais difícil no futebol moderno, ele é é bom nisso aos 22 anos. Por isso o sucesso não é surpresa.

James ao lado de Alvaro Pereira, outro ex-jogador do Porto (Foto: Eitan Abramovich/AFP)

Reconhecidamente tímido, James Rodríguez praticamente se sentiu em casa quando chegou ao Porto. O time tinha ainda dois colombianos, Falcao García e Guarín, além de outros sul-americanos. Depois, ainda chegou Jackson Martínez, seu companheiro no tri em 2012/2013.

- Os colombianos eram os mais próximos. Mas o Porto tinha argentinos, uruguaios... Entre James e Hulk, sempre houve respeito e admiração mútua. Ambos têm algo em comum que é a humildade, eles tinham a noção do valor do colega, isso ajudou a equipe a ter sucesso - lembra Pedro Emanuel.

Hulk é titular da Seleção Brasileira (Foto: Martin Bernetti/AFP)

JAMES TEVE DE SE ADAPTAR

Hulk saiu repentinamente do Porto. A temporada 2012/2013 já havia começado e a janela europeia estava fechada. Mas não a da Rússia. Acabou sendo vendido por 60 milhões de euros (R$ 181 milhões) para o Zenit. Sem o Porto poder comprar alguém para seu lugar, sobrou para James. O jovem assumiu a condição de líder do time e foi o principal jogador naquela temporada, em que o Dragão conquistou o tricampeonato português, com o famoso gol do Kelvin em cima do Benfica, em partida decisiva na penúltima rodada.

Mas mais do que a qualidade de James, a temporada mostrou o seu poder de adaptação e sua versatilidade. Começou a temporada jogando como ponta. Já era destaque, mas brilhou ainda mais quando foi o cérebro do time em uma partida que precisou substituir Lucho González na função. Jogou tão bem na goleada por 4 a 0 sobre o Beira-Mar que os jornais fizeram o trocadilho de que ele como 10 era um luxo.

- Nos jogos que observamos no Banfield, jogava como "médio ala", um falso ponta. Queríamos jogando mais centralizado, fazendo a definição, dando o último passe e procurando espaço entre as linhas e servir os homens de frente. A Copa está mostrando que aprendeu muito bem. É um lutador por isso - disse Pedro Emanuel.

Depois de três anos, James acabou sendo vendido ao Monaco por 45 milhões de euros (R$ 135 milhões). Logo, juntos, os craques renderam 105 milhões de euros (R$ 316 milhões) aos cofres do Dragão.